Delegada relembra casos de violência contra a mulher em Manaus e no DF e incentiva vítimas a denunciarem

Redação Portal Norte

Casos recentes de violência contra mulheres em Manaus e no Distrito Federal voltaram a chamar a atenção da sociedade. Entre os episódios está o de um empresário que espancou a namorada com mais de 60 socos dentro de um elevador, no DF, no início do mês.

A agressão durou quase quatro minutos e foi registrada por câmeras de segurança. A vítima caiu no chão várias vezes, sofreu fraturas no rosto e outras lesões pelo corpo.

Segundo familiares, não era a primeira vez que ela apanhava. O agressor está preso, enquanto a mulher segue em recuperação.

Casos de violência contra a mulher

Em Manaus, outro caso chocante ocorreu quando uma mulher cobrou o ex-companheiro por uma dívida. Em resposta, ele a atacou com uma capacetada na cabeça. A cena, registrada por câmeras, mostra a vítima desmaiando e caindo ao chão.

A queda foi tão forte que a mulher quebrou a coluna e agora luta para voltar a andar. O agressor, que já tinha histórico de violência, segue foragido, e a família dele estaria ajudando na fuga.

Também em Manaus, uma mulher grávida de três meses foi esfaqueada pelo marido. A vítima levou oito facadas, correu sangrando até a casa de vizinhos e foi levada ao hospital, onde segue internada.

O agressor fugiu logo após o crime e ainda não foi localizado pela polícia.

Um dos crimes mais lembrados pela população foi o assassinato de Débora, de 18 anos, grávida de oito meses. Ela saiu de casa para buscar dinheiro com o ex-companheiro para comprar o berço do bebê e acabou morta.

Débora foi queimada, asfixiada e teve os pés cortados. O corpo foi encontrado dias depois em uma área de mata.

Delegada alerta: ‘não joguem pedra na vítima’

A delegada Débora Mafra, que atuou por 10 anos na Delegacia da Mulher e hoje está em processo de aposentadoria, fez um alerta sobre o cenário atual. Segundo ela, o Brasil ocupa o 5º lugar no ranking mundial de feminicídios.

Dados do Atlas da Violência 2024 apontam que, por dia, cinco mulheres são mortas por feminicídio e outras seis sofrem tentativas no país.

“São 11 mulheres atacadas diariamente. Muitas vezes ainda culpam a vítima, mas precisamos entender que elas permanecem no ciclo de violência por dependência financeira, emocional ou psicológica”, disse Mafra.

A delegada destacou ainda que muitas mulheres demoram até 10 anos para denunciar as agressões. Além disso, 98% das vítimas de feminicídio nunca haviam registrado boletim de ocorrência.

Débora Mafra reforçou a importância da denúncia e explicou que o Amazonas conta com rede de apoio às vítimas, incluindo psicólogos, assistentes sociais, casas-abrigo e até cursos de profissionalização.

“Se for preciso sair de casa apenas com a roupa do corpo, fuja. A vida é mais importante”, orientou.