Galípolo vê oportunidade para economia brasileira em tarifaço dos EUA

Redação Portal Norte

O presidente do Banco Central (BC), Gabriel Galípolo, afirmou, na última segunda-feira (11), que as tarifas impostas pelos Estados Unidos (EUA) a produtos brasileiros não se mostram somente como risco, mas também como oportunidade para a economia nacional. 

Durante o Conselho Político de Orientação Social (COPS) da Associação Comercial de São Paulo (ACSP), ele disse que a tarifa já era avaliada pelo Comitê de Política Monetária (Copom) desde janeiro. 

Segundo ele, parte da produção destinada ao mercado externo poderá ser redirecionada para o consumo interno, o que pode reduzir preços no curto prazo. 

Por outro lado, tensões comerciais mais intensas com os EUA podem desvalorizar o real frente ao dólar, elevando a inflação no médio prazo. 

“Independentemente dos acontecimentos, o Banco Central não desviará um milímetro sobre a defesa da moeda do país. Estamos atentos aos sinais econômicos”, afirmou.

Gabriel Galípolo em reunião comercial. Foto: ACSP.

Plano estratégico 

Na segunda, o presidente Lula (PT) se reuniu com o ministro da Fazenda, Fernando Haddad, e o vice-presidente e ministro do Desenvolvimento, Indústria, Comércio e Serviços, Geraldo Alckmin, para discutir o plano de ajuda a exportadores afetados pelo tarifaço 

Segundo fontes do governo federal, a conversa avançou nas discussões sobre o pacote, mas terminou sem definição de data para o anúncio. A reunião durou cerca de duas horas.

Pix

Galípolo foi ainda questionado sobre o Pix. Há cerca de um mês, o governo dos EUA abriu uma investigação comercial contra o Brasil e colocou o sistema como um dos alvos principais.

Conforme a medida anunciada pelo representante de Comércio dos EUA, Jamieson Greer, o documento cita supostas práticas desleais ligadas a serviços de pagamento eletrônico desenvolvidos pelo governo brasileiro.

O presidente do BC falou que a ferramenta facilita a inclusão financeira, ao ampliar o acesso da população à infraestrutura bancária. Atualmente, o Pix tem mais de 800 milhões de chaves cadastradas, com 250 milhões de transações diárias, em média, sendo utilizado por 90% da população. 

“É uma segurança para o próprio país que ele possa ser gerenciado e administrado pelo Banco Central”, comentou.