O deputado federal Capitão Alberto Neto (PL-AM) criticou duramente a decisão do ministro Alexandre de Moraes, do Supremo Tribunal Federal (STF), que colocou o ex-presidente Jair Bolsonaro em prisão domiciliar nesta sexta-feira (2).
Em entrevista exclusiva à TV Norte Amazonas, o parlamentar classificou a medida como uma “escalada autoritária” e defendeu que o Senado Federal abra um processo de impeachment contra Moraes.
A prisão domiciliar de Bolsonaro foi decretada no âmbito do inquérito que investiga uma tentativa de golpe de Estado após as eleições de 2022.
Segundo Moraes, o ex-presidente descumpriu medidas anteriores ao manter contato com investigados e usar redes sociais para comentar o processo. O celular de Bolsonaro foi apreendido durante a operação “Tempus Veritatis”, autorizada pelo STF.
Alberto Neto, aliado de Bolsonaro e representante da direita no Amazonas, afirmou que a decisão é “uma vergonha para um país que se diz democrático”. Ele questionou o motivo da medida:
“Qual o crime que o presidente cometeu? Aparecer na rede social do filho? Enquanto isso, traficantes e estupradores respondem em liberdade”, declarou.
‘Moraes se acha imperador’, diz Alberto Neto
O parlamentar amazonense foi além nas críticas ao ministro do STF. “Esse ministro, Aliciane Moraes, não tem limites. Ele se acha rei, imperador. Está tratando o Brasil como uma grande senzala sua”, disse.
Alberto Neto também reforçou a necessidade de ação por parte do Congresso Nacional. Segundo ele, ou o Senado assume seu papel e dá andamento ao impeachment de Moraes, ou a população deve voltar às ruas.
“O povo tirou a Dilma. Pode tirar esse autoritarismo também. Estão querendo calar Bolsonaro, mas estão despertando o grito de uma nação”, afirmou.
Reunião com o PL
O deputado revelou que o Partido Liberal deve se reunir nas próximas horas para definir estratégias de reação à decisão do STF.
“Fomos surpreendidos com essa medida. Vamos discutir ações, mas está claro que Bolsonaro está sendo preso por ser oposição. Isso só acontece em ditaduras”, completou.
A defesa de Jair Bolsonaro ainda não se pronunciou oficialmente, mas deve recorrer da decisão. Ele está proibido de sair de casa sem autorização judicial, de usar redes sociais e de manter contato com outros investigados.
Moraes também determinou monitoramento eletrônico, entrega dos passaportes e restrição de visitas — medidas que, segundo o ministro, visam impedir obstrução da Justiça.