Uma comitiva de oito senadores do Brasil está em Washington nesta semana tentando evitar a entrada em vigor da tarifa de 50% sobre produtos importados do Brasil pelos Estados Unidos (EUA).
A sobretaxa, anunciada pelo governo Donald Trump, está prevista para começar a valer nesta sexta-feira (1º).
Durante reunião com empresários na Câmara de Comércio dos EUA, nesta segunda-feira (28), o senador Nelsinho Trad (PSD-MS), que lidera o grupo e preside a Comissão de Relações Exteriores do Senado, propôs um manifesto empresarial pedindo o adiamento da medida.
“O setor produtivo precisa de previsibilidade, especialmente com produtos perecíveis. O ‘não’ a gente já tem, vamos correr atrás do ‘sim’”, disse Trad.

O grupo se reuniu com representantes de empresas como Shell, IBM, Johnson & Johnson, Exxon Mobil e Cargill. A ideia é que essas corporações pressionem o governo americano por meio de uma carta oficial.
A Câmara de Comércio americana e a Amcham já haviam divulgado um apelo conjunto em julho, alegando que 6.500 pequenas empresas dos EUA seriam afetadas.
O líder do governo no Senado, Jaques Wagner (PT-BA), reconheceu que a diplomacia parlamentar tem limitações.
“É difícil conseguir o adiamento. A gente está aqui para contribuir, mas quem tem que se entender são os governos”, afirmou.
Lula cobra postura de Trump
Enquanto isso, o presidente Lula cobrou publicamente uma postura de diálogo do governo norte-americano.
“Espero que Trump reflita sobre a importância do Brasil. Se há divergência, que se sente à mesa. Não se pode agir de forma unilateral e abrupta”, disse ele durante evento no Rio de Janeiro.
Lula também afirmou que apenas 30% das riquezas minerais do país foram mapeadas até hoje, e prometeu a criação de uma “comissão ultraespecial” para identificar os minerais estratégicos do Brasil.

“Se é crítico e eu nem conheço, por que vou deixar outro país explorar?”, questionou o presidente, defendendo controle estatal na exploração mineral.
Sem previsão de encontros com a Casa Branca, os senadores esperam, pelo menos, dialogar com seis parlamentares americanos, entre democratas e republicanos, ainda nesta semana. Já o deputado Eduardo Bolsonaro (PL-SP) estaria tentando dificultar essas agendas.
O ministro das Relações Exteriores, Mauro Vieira, também está nos EUA e indicou que o Brasil está aberto ao diálogo, desde que haja sinalização do governo Trump.