A defesa dos policiais suspeitos de abusar sexualmente de uma mulher indígena da etnia Kokama em uma delegacia do interior do Amazonas se pronunciou sobre as acusações e atribuiu a denúncia a uma suposta “vingança” da vítima.
Em coletiva de imprensa nesta segunda-feira (28), a advogada Dra. Viviane Batalha, declarou que as acusações são falsas e que os relatos da detenta são inválidos.
O caso, que ganhou repercussão nacional, levou à prisão dos agentes em menos de 24 horas após pedido do Ministério Público do Amazonas (MP-AM).
Defesa de policiais suspeitos de abusar de detenta indígena no Amazonas
A defesa negou veementemente as alegações de violência sexual e ressaltou que a indígena manteve relações consensuais apenas com seu companheiro durante a custódia.

“Ela alega que foi estuprada durante a custódia, e isso não aconteceu. Há muitas inverdades, começando pelo fato de ela dizer que deu à luz dentro da cela, o que é mentira”, declarou Batalha.
Segundo a advogada, a mulher recebeu atendimento médico e psicológico, com registros das unidades de saúde já encaminhados à polícia.
“Ela foi atendida por uma enfermeira mulher. Não há fundamento no pedido de prisão do MP, apenas pressão midiática”, disse, sugerindo que o Ministério Público agiu por coerção da opinião pública.
Flagrante de relações com companheiro e uso de drogas
Questionada sobre provas que descartariam o estupro, Batalha citou supostos flagrantes da detenta mantendo relações sexuais com o próprio companheiro – que, segundo ela, também a agredia fisicamente.
“Eles foram pegos uma madrugada tendo relações e usando entorpecentes. Os policiais que ela acusa foram quem os flagraram, e isso seria uma retaliação”, argumentou.

Na ocasião, ela relatou que o companheiro da mulher entrou na delegacia sem que nenhum policial dessa permissão.
A defesa ainda informou que a indígena tinha permissão para receber visitas íntimas do parceiro e que uma sala foi adaptada para abrigá-la, já que a delegacia não tinha cela adequada.
Sobre a imagem viralizada da mulher deitada com outros detentos, Batalha acusou o advogado dela de armar o cenário como “estratégia processual”.
O caso segue sob investigação, e o MP-AM ainda não se pronunciou sobre as novas alegações da defesa.