Experientes, mas ignorados: profissionais 50+ enfrentam dificuldades para ingressar no mercado de trabalho

Redação Portal Norte

Respeito, reconhecimento e oportunidade: o debate sobre trabalhadores com mais de 50 anos vai muito além da idade. Esse grupo tem muito o que mostrar e ainda mais o que ensinar.

Entre apresentações culturais com vozes afinadas e olhares vibrantes, o que se vê é mais do que performance — é vitalidade, resistência e potência.

Profissionais 50+ têm dificuldades para ingressar no mercado de trabalho

Cada olhar e sorriso carrega histórias de quem já contribuiu muito ao longo da vida profissional e ainda pode continuar colaborando.

Se cantar exige fôlego, entrosamento e presença de espírito, o mesmo se aplica ao trabalho. No entanto, a realidade para muitos desses profissionais está longe de ser favorável.

Apesar da qualificação e interesse em se manter atualizado, trabalhadores com 50 anos ou mais enfrentam dificuldades para se manter em empregos formais ou conquistar uma nova oportunidade.

A razão? Barreiras como o preconceito de que são menos produtivos ou resistentes à tecnologia.

“Os empresários deveriam abrir mais espaço para essas pessoas. Elas trazem uma bagagem muito grande, já atuaram em várias áreas e podem, inclusive, ajudar a preparar os mais jovens. É uma forma de incluir, valorizar e aproveitar melhor o potencial dessas pessoas”, destacou a dona de casa Izabel Almeida.

Profissionais 50+ têm dificuldades para ingressar no mercado de trabalho – Foto: Reprodução/TV Norte Amazonas.

Conforme dados da Relação Anual de Informações Sociais (RAIS) de 2022, o Brasil conta com mais de 13,4 milhões de trabalhadores com 50 anos ou mais.

Na Região Norte, o crescimento dessa faixa etária no mercado formal foi acima da média nacional. Entre 2006 e 2021, o aumento foi de 129%. Em 2024, os vínculos formais de pessoas entre 40 e 59 anos cresceram 5,7% na região.

Mesmo assim, a maioria desses trabalhadores ainda ocupa funções com baixa remuneração e pouca exigência educacional.

Em estados como Amazonas, Acre, Tocantins e Rondônia, muitos acabam recorrendo à informalidade por falta de oportunidades compatíveis com sua experiência.

“O protagonismo 50+ está aí. Precisamos mudar essa visão ultrapassada de que são ‘velhos’. Hoje falamos em longevidade. As empresas precisam deixar o preconceito de lado nas seleções. Não se julga mais pela idade, mas pelo conteúdo, pela capacidade. É uma tendência necessária e urgente”, afirmou a Head de RH Marcela Viana.

Desafios e oportunidades

Foi justamente para ampliar esse debate que a Associação Brasileira de Recursos Humanos (ABRH-AM) realizou o 2º Fórum Corporativo de Diversidade e Inclusão, com o tema “Construindo pontes, valorizando diferenças“.

O evento reuniu especialistas de todo o país para discutir os desafios e oportunidades da diversidade etária nas empresas.

“Tenho provocado essa reflexão nas organizações. A pirâmide etária do Brasil se inverteu: a maioria da população está na terceira idade. Ainda assim, há poucas políticas públicas e corporativas voltadas a esse público. Precisamos sensibilizar RHs e gestores sobre a importância da inclusão dos 50+”, defendeu o presidente da ABRH-AM Francisco Mendes.

Mais do que incluir, é preciso acreditar. Esses profissionais estão prontos para produzir, ensinar e seguir contribuindo. E o mercado de trabalho ainda tem muito a aprender com quem já chegou até aqui.