Cheia no Amazonas já afeta mais de 130 mil famílias e 42 municípios seguem em emergência

Redação Portal Norte

A cheia no Amazonas já impactou mais de 130 mil famílias em todo o estado e municípios seguem em emergência. A Defesa Civil estima que as inundações afetaram diretamente cerca de 534 mil pessoas.

Apesar de as nove calhas dos principais rios já apresentarem sinais de vazante, 42 municípios ainda permanecem em situação de emergência.

Em Manaus, o Rio Negro atingiu 28,72 metros, de acordo com a última medição do porto da capital. No final de junho, o nível do rio chegou a 29,02 metros, ultrapassando a cota de inundação severa.

A Defesa Civil segue com monitoramento em tempo real por meio do centro de alerta e vigilância hídrica.

Governo estadual intensifica ações de apoio

Desde o início da operação Cheia 2025, o governo estadual já enviou 640 toneladas de itens de assistência humanitária aos municípios atingidos, incluindo cestas básicas, água potável, caixas d’água, kits de purificação e uma estação de tratamento móvel.

As equipes de saúde atenderam mais de 35 mil pessoas com medicamentos nas comunidades afetadas. Em Manicoré, uma nova usina de oxigênio instalada no hospital municipal triplicou a capacidade de produção, reforçando o atendimento médico durante a crise.

Além disso, na educação, 453 alunos de quatro municípios mantêm os estudos de forma remota por meio do programa Aula em Casa, evitando prejuízos ao ano letivo.

Governo federal libera recursos emergenciais para municípios

Diante da gravidade da situação, o Ministério da Integração e Desenvolvimento Regional (MIDR) autorizou na última quinta-feira (24) o repasse de R$ 1,9 milhão para cinco municípios do Amazonas atingidos por enchentes e erosões.

O objetivo é oferecer socorro imediato às famílias e iniciar a reconstrução de estruturas danificadas pelas cheias.

Carauari foi o município que recebeu o maior valor, com R$ 670 mil. Itacoatiara obteve R$ 661 mil, enquanto Anamã ficou com R$ 305 mil. O governo federal também destinou R$ 118 mil para Caapiranga e R$ 218 mil para Anori.

Sobretudo, os municípios devem utilizar os recursos exclusivamente em ações de assistência humanitária, reparos em infraestrutura e medidas preventivas.

Municípios têm 90 dias para prestar contas

As prefeituras beneficiadas terão 90 dias para apresentar ao governo federal a prestação de contas sobre o uso dos recursos.

Segundo a Defesa Civil Nacional, a liberação priorizou cidades com situação de emergência reconhecida, alto número de desabrigados e danos graves à infraestrutura.

Apenas em julho, o governo federal já destinou R$ 7,3 milhões ao Amazonas em repasses emergenciais, incluindo recursos para Borba, Jutaí e Tonantins.

Gestores alertam para necessidade de mais apoio

Mesmo com os esforços dos governos estadual e federal, os prefeitos dos municípios atingidos afirmam que os recursos repassados ainda não cobrem os prejuízos causados pelas enchentes.

As administrações locais seguem em busca de apoio adicional para garantir atendimento contínuo à população e evitar novos desastres.

Enquanto isso, as autoridades seguem em alerta. A cheia de 2025 já é uma das mais severas dos últimos anos no estado e continuará exigindo ações coordenadas para mitigar seus impactos.