Brasil registra 1.450 feminicídios em 2024 e dados revelam crise de segurança para mulheres no Amazonas

Redação Portal Norte

O Relatório Anual Socioeconômico da Mulher (Raseam) 2025, divulgado pelo Ministério das Mulheres nesta terça-feira (25), revela um cenário preocupante da violência de gênero no Brasil.

O país registrou 1.450 feminicídios em 2024, número que representa um aumento em relação ao ano anterior (1.438 casos), apesar da redução geral nos índices de homicídios dolosos e lesões corporais seguidas de morte.

No entanto, o que mais chama atenção é o cenário no Amazonas, que, segundo a advogada em entrevista à TV Norte Amazonas, bateu um recorde negativo histórico nos últimos 19 anos de levantamento nacional.

O estado apresentou alta significativa nos casos de feminicídio e estupro de vulneráveis, especialmente envolvendo vítimas negras, pardas e menores de idade.

Casos de feminicídios crescem no Amazonas

Em entrevista à TV Norte Amazonas, a advogada Carla Carvalho comentou os dados nacionais sobre feminicídios com foco no Amazonas.

“É estarrecedor os números que recebemos do relatório anual de 2025 frente ao de 2024. Trazemos números altos para o Norte, especificamente para o Amazonas, em casos de feminicídio e estupro de vulnerável, que são mais graves. Nos 19 anos que são publicados os dados pelos relatórios nacionais, o Amazonas atingiu infelizmente esse recorde negativo”, declarou.

Segundo Carla, 76% das vítimas de feminicídios no Amazonas são mulheres negras e 87% têm menos de 18 anos. Em sua maioria, os crimes ocorrem em ambientes domésticos ou familiares, com autores sendo companheiros, ex-companheiros, parentes ou pessoas próximas.

O relatório também mostra que 71,6% das violências contra mulheres acontecem dentro de casa. Além disso, 76,6% dos agressores são homens, evidenciando um padrão recorrente de violência doméstica e familiar.

As mulheres pretas e pardas continuam sendo as principais vítimas — um dado que reforça a sobreposição de vulnerabilidades sociais e raciais.

Caso de indígena revela falhas institucionais

Em alusão ao Dia Internacional da Mulher Negra, Latina e Caribenha, a advogada também mencionou o caso recente de uma mulher indígena da etnia Kokama, que denunciou ter sido estuprada por policiais durante nove meses em uma unidade prisional em Santo Antônio do Içá, interior do Amazonas.

Segundo o relato, ela foi ilegalmente colocada em uma cela masculina, onde sofreu repetidos abusos. O caso está sendo acompanhado pelo Ministério Público do Amazonas (MPAM), e a vítima já recebeu acolhimento em Manaus.

“Todas as instituições públicas falharam nesse caso”, destacou Carla.

O relatório ainda aponta que o Brasil registrou 71.892 casos de estupro de mulheres em 2024 — o equivalente a 196 por dia. Apesar da gravidade, o número representa uma queda de 1,44% em relação a 2023.

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