Golpe em Loja de Alto Alegre: Polícia Civil desmantela esquema de fraudes que afetou consumidores

Redação Portal Norte

A Polícia Civil de Roraima (PCRR) desarticulou, nesta quinta-feira (24), um esquema de fraudes que lesou dezenas de clientes de uma loja de departamentos em Alto Alegre.

A ação faz parte de uma operação coordenada pela Delegacia do município, que cumpriu quatro mandados de busca e apreensão: três em residências e um no endereço comercial investigado.

Segundo o delegado Vinícius Quadros, titular da unidade, a investigação começou após o registro de pelo menos 13 boletins de ocorrência.

As vítimas relataram cobranças por compras que nunca realizaram ou que já haviam sido pagas, mas continuavam em aberto no sistema da loja.

Funcionários usaram brecha no sistema para aplicar golpes

As apurações apontam que três funcionárias da loja, a gerente júnior M. S. Q. S., de 28 anos, a operadora de caixa C. N. P., de 26, e a vendedora L. S. P., também de 28, se aproveitaram de uma falha no sistema interno da empresa.

Utilizando apenas os quatro primeiros dígitos do CPF de clientes com crédito aprovado, elas conseguiram burlar os controles de segurança e efetuar compras fraudulentas.

“O sistema permitia autorizações com base em informações mínimas. Elas exploraram essa brecha de forma recorrente, com pleno conhecimento do impacto para os consumidores”, explicou o delegado.

Vítimas sofreram danos financeiros e emocionais

De acordo com a Polícia Civil, as vítimas eram, em sua maioria, clientes antigos e confiavam na loja. No entanto, além das cobranças indevidas, muitas pessoas tiveram seus nomes inseridos em cadastros de inadimplentes.

“O prejuízo vai além do financeiro. Há consequências emocionais graves, além do comprometimento do acesso ao crédito dessas pessoas”, ressaltou Quadros.

A gravidade do caso se confirmou principalmente após a própria empresa, sediada em Manaus (AM), identificar pelo menos 25 ocorrências semelhantes envolvendo a mesma loja.

Mandados cumpridos e provas apreendidas

Com base nas evidências reunidas, a Polícia Civil solicitou à Justiça mandados de busca e apreensão nas residências das investigadas e na loja. A Justiça deferiu os pedidos, e a operação foi deflagrada com apoio de agentes da Delegacia de Alto Alegre.

Objetos apreendidos em operação – Foto: Reprodução / ASCOM PCRR

Além disso, a equipe apreendeu celulares, notebooks e diversos documentos, incluindo notas fiscais, canhotos de vendas e registros manuais. Todo o material será periciado no Instituto de Criminalística Perito Dimas Almeida (ICPDA).

Polícia vê associação criminosa e segue com as investigações

O delegado classificou a atuação das investigadas como organizada e sistemática.

“Não se trata de erro isolado. Há indícios claros de associação criminosa. Elas manipulavam dados, falsificavam documentos e criavam débitos fictícios”, afirmou.

Portanto, a Polícia Civil segue com a apuração e pretende identificar todas as vítimas. Novas diligências não estão descartadas, e a investigação continua em andamento.