Uso de tornozeleiras eletrônicas chega a 122 mil no Brasil; Roraima registra o menor número, com 120

Redação Portal Norte

No fim de 2024, o Brasil contabilizava 122.102 pessoas monitoradas por tornozeleiras eletrônicas, segundo dados semestrais da Secretaria Nacional de Políticas Penais (Senappen). O número representa um crescimento contínuo desde 2016, quando o uso da tecnologia começava a ser implementado.

Quem é monitorado?

Dos mais de 122 mil usuários do dispositivo:

  • 107.393 (88%) são homens, enquanto 14.709 (12%) são mulheres.
  • A maior parte está composta por:
    • 65.673 pessoas no regime semiaberto;
    • 29.553 em prisão provisória;
    • 22.111 no regime aberto;
    • 4.239 em regime fechado;
    • Outros 526 em medidas de segurança como internação ou tratamento ambulatorial.

Crescimento expressivo

Em oito anos, o número de monitorados por tornozeleira quase 20 vezes maior, saltando de apenas 6.027 pessoas em 2016 para 122.102 em 2024 — um aumento de 95%.

Em 2020, durante a pandemia, houve um pico de cerca de 55.899 novos monitoramentos, impulsionados pela decisão do STF que determinou regime domiciliar para detentos do grupo de risco.

Análise por estados

A força do monitoramento eletrônico varia drasticamente entre as unidades da federação:

  • Lideram: Paraná (17.996), Rio Grande do Sul (10.582) e Mato Grosso do Sul (10.144);
  • Menores índices: Roraima (120), Amapá (697) e São Paulo (731).

Funcionamento

A tornozeleira pesa cerca de 128 g e traz GPS e modem, transmitindo dados via rede celular. Esse sistema permite rastrear deslocamentos e identificar violações — como rompimento, bateria descarregada ou saída de áreas delimitadas. Quando isso acontece, alertas são enviados à central de monitoramento e ao judiciário.

Visões

O uso de tornozeleiras eletrônicas está no centro de discussões complexas:

  • Alternativa à prisão: oferece supervisão sem o encarceramento — reduzindo custos e possíveis superlotação — mas suscita questões sobre controle, privacidade e circuito de vigilância;
  • Desafios operacionais: problemas de sinal, falhas técnicas e infraestrutura requerida para instalação e carregamento do equipamento;
  • Impacto social: afeta rotina familiar, trabalho, privacidade e as relações dentro do convívio social do monitorado.

A Senappen deve divulgar em agosto os dados referentes ao primeiro semestre de 2025, já incluindo novos casos — como o ex-presidente Jair Bolsonaro, que começou a usar tornozeleira eletrônica na última sexta-feira (18).