Na manhã desta sexta-feira (18), a Polícia Federal deflagrou a Operação Bellum Aurum visando desarticular uma organização envolvida na venda ilegal de armas de fogo e munições a garimpos em terra Yanomami.
A ação ocorreu em Boa Vista e cumpriu dois mandados de prisão preventiva e cinco de busca e apreensão.
Destino das armas: garimpos ilegais em território indígena
As investigações apontam que grande parte das armas negociadas pelo grupo abastecia garimpos ilegais na Terra Indígena Yanomami.
A Polícia Federal prendeu preventivamente um major aposentado da PMRR
A Polícia Federal prendeu um major aposentado da PMRR, suspeito de liderar o fornecimento de armas para garimpeiros.
Anteriormente, em março, a corporação já havia investigado o oficial por envolvimento no envio de armas, munições e combustíveis à região.
Como resultado, as provas reunidas naquela ocasião embasaram a deflagração da Operação Bellum Aurum.
Operação reforça combate ao crime em áreas sensíveis
A Terra Indígena Yanomami, historicamente pressionada por atividades ilegais, continua no centro de investigações que envolvem crimes ambientais, tráfico de armas e violação de direitos indígenas.
Por isso, a PF destaca que combater o fornecimento logístico aos garimpos ilegais é essencial para enfraquecer a cadeia criminosa que sustenta essas atividades.
Nota oficial e próximos passos
A Polícia Federal informou que as investigações seguem em andamento e que novas diligências podem ocorrer nos próximos dias.
A Polícia Federal batizou a operação de Bellum Aurum, expressão em latim que significa “Guerra pelo Ouro”, para refletir o foco do esquema criminoso: a exploração violenta e ilegal de riquezas minerais em áreas protegidas.
Terras Yanomami: garimpo ilegal compromete saúde e cultura indígena
O garimpo ilegal na Terra Indígena Yanomami, em Roraima, tem causado danos ambientais e sociais profundos.
Entre 2016 e 2021, a atividade cresceu 3.350%, resultando em desmatamento, contaminação por mercúrio e proliferação de doenças como malária. Em 2021, mais de 40 mil casos de malária foram registrados, o maior número desde 2003.
Além disso, o garimpo tem afetado a estrutura social e cultural dos Yanomami. Relatos indicam exploração sexual de mulheres e crianças em troca de alimentos e bebidas, além de conflitos internos e desorganização comunitária.