Lei da Reciprocidade: Alckmin promete ‘troco’ à tarifa de Trump até terça-feira; entenda os impactos

Redação Portal Norte

O vice-presidente e ministro do Desenvolvimento, Indústria, Comércio e Serviços, Geraldo Alckmin, afirmou neste domingo (13) que o governo deve regulamentar até terça-feira (15) a lei da reciprocidade tarifária, considerada uma possível resposta à taxação de 50% imposta pelos Estados Unidos sobre produtos brasileiros.

Segundo Alckmin, o governo brasileiro está finalizando o texto do decreto que colocará em prática a lei aprovada pelo Congresso Nacional, permitindo que o Brasil adote medidas semelhantes caso outro país imponha barreiras comerciais de forma unilateral.

A medida é vista como uma tentativa de pressionar Washington a recuar da decisão que afeta diretamente setores da indústria e da agricultura nacional.

Retaliação pode ir além da tarifa, diz Casa Civil

Mais cedo, o ministro da Casa Civil, Rui Costa, já havia adiantado que o governo pretende publicar a regulamentação da lei da reciprocidade ainda nesta semana.

De acordo com ele, se os Estados Unidos não voltarem atrás até o início de agosto, o Brasil deve adotar uma série de medidas retaliatórias.

“Não serão apenas taxas, outras medidas serão adotadas”, disse Costa em entrevista a jornalistas, sem detalhar quais seriam essas ações adicionais.

Alckmin também garantiu que o Executivo federal manterá o diálogo com o setor privado, que será um dos mais impactados pela taxação americana.

“A ideia é conversar muito com o setor privado, seja da agricultura, setor de laranja, café, carne, industrial, aço”, destacou.

Segundo ele, a integração produtiva entre Brasil e Estados Unidos é profunda, principalmente no setor siderúrgico.

“O Brasil é o terceiro maior comprador de carvão siderúrgico dos EUA, faz o aço semiplano e vende para os Estados Unidos, que transforma em aço plano, motor, automóvel”, explicou o vice-presidente.

Além da possível retaliação via decreto, o Brasil pretende recorrer à Organização Mundial do Comércio (OMC) para questionar a legalidade da tarifa de 50% imposta pelos EUA.

A movimentação sinaliza uma escalada nas tensões comerciais entre os dois países, que tradicionalmente mantêm uma relação próxima em termos econômicos.