Trump vai aumentar tarifas para alguns países em até 70%

Redação Portal Norte

O presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, anunciou que começará a notificar dezenas de países com novas tarifas comerciais a partir de sábado, 5 de julho. As cartas informarão as novas taxas que passarão a valer, na maioria dos casos, a partir de 1º de agosto. A medida faz parte de um plano iniciado em abril, quando Trump concedeu um prazo de três meses para negociações bilaterais.

De acordo com o presidente, de 10 a 12 países devem receber notificações diariamente durante os cinco dias que antecedem o fim da trégua tarifária, marcada para 9 de julho. “O dinheiro começará a entrar nos Estados Unidos em 1º de agosto, praticamente em todos os casos”, afirmou Trump em coletiva na Base Conjunta Andrews.

Os percentuais das novas tarifas variam entre 10% e 70%. Ou seja, superando, em alguns casos, os 50% que já impostos a vários parceiros comerciais. A mudança provocou instabilidade no mercado internacional. Enquanto as bolsas norte-americanas permaneceram fechadas por causa do feriado de 4 de julho, os mercados internacionais registraram queda.

Para quais países Trump vai aumentar tarifas?

Os Estados Unidos ainda não revelaram quais países vão receber as cartas. Trump, contudo, já apontou o Japão e a União Europeia como nações que impõem “barreiras duras” nas trocas comerciais.

Nesta semana, o presidente dos EUA mencionou a possibilidade de aplicar até 35% de tarifa ao Japão. No entanto, não houve confirmação sobre a efetivação da medida ou se é apenas parte da estratégia de pressão.

A Casa Branca estabeleceu o dia 9 de julho como o prazo final para que países interessados firmem acordos com os Estados Unidos.

Contudo, o próprio governo reconhece que há certa flexibilidade para nações que demonstram disposição em negociar. É o caso da Índia, segundo a secretária de imprensa Karoline Leavitt, que afirmou que “o prazo não é crítico” em casos de boa-fé.

O secretário do Tesouro, Scott Bessent, reforçou essa visão e disse, em entrevista à Fox Business, que acredita na conclusão de acordos até o Dia do Trabalho, em setembro. Ele também declarou à Bloomberg TV que espera uma “enxurrada” de acertos comerciais antes do prazo de 9 de julho.

Apesar disso, Trump indicou que a tolerância com o prazo é limitada. Quando questionado sobre uma possível extensão, foi direto: “Na verdade, não”. Ele ressaltou que os EUA começarão a cobrar as tarifas no primeiro dia de agosto. ALém disso, o valor que cada país deverá pagar estará detalhado nas cartas.

Acordos firmados com Reino Unido e China

Até o momento, os EUA assinaram acordos apenas com o Reino Unido e a China. Trump também afirmou que há um entendimento com o Vietnã, mas os termos ainda não foram apresentados oficialmente.

A Casa Branca também não divulgou a estrutura do acordo, apenas mencionou em uma postagem nas redes sociais do presidente.

Ao longo dos últimos meses, Trump afirmou que poderia concluir até 200 acordos comerciais. Em abril, chegou a declarar que “todos os acordos estavam feitos”. No entanto, mais recentemente, reconheceu que dezenas ou centenas de negociações são inviáveis em curto prazo, o que o levou a adotar o envio das cartas como solução.

O plano de impor novas tarifas a países que não firmarem acordos com os EUA já estava sendo cogitado desde abril. Em 23 daquele mês, Trump afirmou que seu governo definiria as tarifas nas semanas seguintes. Em 16 de maio, ele voltou ao tema, prometendo que em breve diria aos países quanto teriam que pagar para negociar com os EUA.

Na última quinta-feira (3), o presidente declarou que as notificações estavam a um dia de serem enviadas. “Temos mais de 170 países, e quantos acordos você poderia fazer?”, comentou, justificando a medida como uma forma de acelerar as decisões e reduzir barreiras comerciais.

Enquanto isso, cerca de 100 países que não conseguirem negociar novos termos continuarão pagando a tarifa mínima de 10% definida na política de “tarifa recíproca”, lançada por Trump no chamado “Dia da Liberação”, em 2 de abril. Para as nações menores, segundo o próprio presidente, as tarifas devem permanecer praticamente as mesmas.