Espetáculo ‘Onà’ leva estudantes da periferia ao teatro para vivência antirracista em Manaus

Redação Portal Norte

O espetáculo solo Onà, inicia uma temporada especial levando estudantes de escolas públicas das zonas periféricas para o Teatro da Instalação, em Manaus.

A obra é criação do multiartista Eduardo Cunha, bacharel em Dança pela Universidade do Estado do Amazonas (UEA), que rompe com o modelo tradicional de levar apresentações culturais às instituições de ensino.

A temporada prevê três sessões abertas ao público, todas gratuitas e sem classificação indicativa.

Uma trajetória ancestral em cinco cenas

A primeira acontece na próxima terça-feira (9), às 9h30, e as demais na sexta-feira (11), às 9h30 e às 15h. O espetáculo tem duração de 35 minutos.

Espetáculo leva estudantes periféricos para o Teatro em Manaus – Foto: Reprodução/Acervo pessoal.

Parte do projeto “Saberes que Dançam”, a proposta vai além de uma apresentação estética.

Segundo Cunha, o objetivo é estimular a reflexão sobre a história e a cultura afro-brasileira, fortalecer a identidade racial de jovens negros e negras e promover o respeito à diversidade cultural e religiosa.

“É importante que esses estudantes se vejam nos palcos, nos lugares de poder simbólico. É um convite para reconhecerem sua própria história”, destaca o artista.

Entre a dança e o pertencimento

Inspirado na palavra iorubá Onà (“caminho”), o trabalho é fruto de sua pesquisa de conclusão de curso e mescla referências da capoeira e dos estudos coreográficos de William Forsythe.

Dividido em cinco cenas — Em Silêncio, Sussurros, Ginga, Mata e Batuque —, o espetáculo evoca memórias da escravidão, das fugas para os quilombos e das formas de resistência negras no Brasil.

Espetáculo leva estudantes periféricos para o Teatro em Manaus – Foto: Reprodução/Acervo pessoal.

A trilha sonora original, executada ao vivo com violoncelo, percussão e elementos eletrônicos, também é assinada pelo próprio Cunha, que atua em todas as etapas criativas, incluindo direção, figurino e iluminação.

Além do viés artístico, a temporada contempla medidas de acessibilidade, como intérprete de Libras durante todas as sessões.

Para Cunha, ocupar o Teatro da Instalação com jovens da periferia representa também um gesto simbólico de pertencimento e valorização dos equipamentos culturais.

“Este trabalho é sobre mim, sobre os caminhos que trilhei enquanto artista periférico, negro e independente. É meu corpo dizendo: eu existo, eu tenho história e eu danço”, disse.

O projeto foi contemplado pelo Edital Nº 04/2023 de Chamamento Público para Povo Negro e Povos Tradicionais, da Lei Paulo Gustavo, com apoio da Secretaria de Estado de Cultura e Economia Criativa (SEC/AM).