A mulher, que foi vítima de uma tentativa de feminicídio, compareceu nesta sexta-feira (4) à Assembleia Legislativa do Estado, ao lado da deputada Alessandra Campelo, para relatar as consequências do ataque que sofreu do ex-companheiro, em Manaus.
Sem mostrar o rosto ou conceder entrevistas, Jéssica Martins Lima, de 26 anos, decidiu tornar públicas as marcas físicas e psicológicas deixadas pelo ataque ocorrido no dia 29 de junho.
Mulher sofreu ataque do ex com a filha no colo, em Manaus
Na data do crime, Ramon Costa de Souza, de 31 anos, invadiu a residência onde a vítima estava com os dois filhos pequenos e uma amiga. Durante o ataque, Jéssica segurava a filha de apenas 10 meses nos braços.
As duas foram brutalmente feridas com o gargalo de uma garrafa de vidro. Jéssica foi atingida nas costas, ombros, braços e pescoço, com ferimentos graves, inclusive próximos à jugular.

Já a bebê sofreu um corte profundo na coxa, próximo à veia femoral e por pouco não morreu. As duas passaram por atendimento médico.
Histórico de agressões e ameaças
De acordo com a deputada Alessandra Campelo, que acompanha o caso desde que a vítima recebeu alta hospitalar, Jéssica vivia um relacionamento marcado por agressões físicas e psicológicas desde 2023.
O primeiro ataque aconteceu em dezembro de 2023, quando a vítima estava grávida de dois a três meses. Apesar de ter se afastado naquele período, continuou mantendo contato com o agressor em razão da gestação.
Após o nascimento da criança, Jéssica enfrentou novos episódios de violência psicológica e ameaças, intercalados por promessas de mudança feitas pelo ex-companheiro.
No fim de 2024, ele chegou a destruir todo o apartamento onde ela vivia com as crianças e voltou a ameaçá-la de morte. Diante da escalada das agressões e da perda de seus pertences, ela se mudou para a casa da mãe na tentativa de se proteger.
Medida protetiva não impediu o crime
Na ocasião do ataque, Jéssica contava com uma medida protetiva de urgência. Apesar disso, o agressor conseguiu invadir o local.
Ramon Costa acabou morrendo após ser espancado na última quarta-feira (2). Segundo a deputada, a Procuradoria da Mulher deverá acompanhar os próximos desdobramentos do caso, mas é provável que o processo seja arquivado devido à morte do suspeito.

Mesmo após a violência sofrida, a vítima relatou que tem recebido ataques e intimidações da família do ex-companheiro. Ainda assim, decidiu se manifestar publicamente.
“Ela pediu que a gente estivesse aqui, queria se sentir segura. Disse que precisava falar porque quer que outras mulheres procurem ajuda, para que não aconteça com elas o que aconteceu com ela”, disse Alessandra Campelo.
“Nós a protegemos todo esse tempo de qualquer assédio ou importunação, mas ela mesma escolheu mostrar e dar esse exemplo”
A deputada reforçou que Jéssica recebe acompanhamento jurídico, psicológico, médico e assistência social. A vítima preferiu não dar entrevistas, mas deixou clara sua motivação: tornar público seu caso na esperança de encorajar outras mulheres a denunciarem situações de violência doméstica.