Itamaraty confronta The Economist: autoridade moral de Lula é indiscutível

Redação Portal Norte

O Ministério das Relações Exteriores divulgou, nesta terça-feira (1º), uma carta em resposta à revista britânica The Economist, que publicou reportagem criticando o presidente Lula (PT). 

O texto da revista apontava que o Brasil estaria perdendo influência internacional e que Lula enfrenta queda de popularidade interna.

A manifestação oficial, assinada pelo chanceler Mauro Vieira, defende que a “autoridade moral do presidente Lula é indiscutível” e reitera a postura do país em temas globais. 

“Poucos líderes mundiais, como o presidente Lula, podem dizer que sustentam com a mesma coerência os quatro pilares essenciais à humanidade e ao planeta: democracia, sustentabilidade, paz e multilateralismo”, diz o documento.

Na reportagem, a The Economist argumenta que, sob Lula, o Brasil se afasta das democracias ocidentais e dos Estados Unidos, citando como exemplo a falta de aproximação com o ex-presidente americano Donald Trump. 

Também menciona a condenação brasileira ao ataque dos EUA contra instalações nucleares no Irã.

O Itamaraty rebateu afirmando que o país não adota “tratamento à la carte do direito internacional nem interpretações elásticas do direito de autodefesa”.

“Como um país que não tem inimigos, o Brasil é também um coerente defensor do direito internacional e da resolução de disputas por meio da diplomacia”, afirma a nota.

O chanceler destacou que a posição do Brasil quanto aos ataques ao Irã e a suas instalações nucleares segue os princípios da Carta da ONU e das normas da Agência Internacional de Energia Atômica.

“Nossa condenação responde ao fato elementar de que essas ações constituem uma flagrante transgressão da Carta da ONU. Ferem, em particular, as normas da AIEA, responsável por prevenir contaminação radioativa e desastres ambientais de larga escala”, argumentou.

Bandeiras do Brasil e da ONU. Foto: Dall-e

Vieira lembrou ainda que, durante o atual mandato, o Brasil condenou a invasão da Ucrânia pela Rússia, ao mesmo tempo em que defendeu uma solução diplomática para o conflito.

O comunicado também cita a presidência brasileira no G20 em 2024, afirmando que Lula “construiu um difícil consenso entre os membros”, lançou uma aliança global contra a fome e a pobreza e apresentou uma “ousada proposta de taxação de bilionários que terá incomodado muitos oligarcas”.

Sobre o Brics, cuja cúpula ocorrerá na próxima semana no Rio de Janeiro, o ministro disse que o Brasil pretende fortalecer o grupo.

“O Brasil vê o Brics como ator incontornável na luta por um mundo multipolar, menos assimétrico e mais pacífico. Nossa presidência trabalhará para fortalecer o perfil do grupo como espaço de concertação política em favor da reforma da governança global e como esfera de cooperação em prol do desenvolvimento e da sustentabilidade.”

Por fim, o Itamaraty refutou a avaliação de que Lula perdeu influência no cenário global.

“Lula não é popular entre os negacionistas climáticos. Em face de uma nova corrida armamentista, ele está entre os líderes que denunciam a irracionalidade de investir na destruição, em detrimento da luta contra a fome e do aquecimento global”, conclui a carta.