Na última sexta-feira (27), o governo federal concluiu a semana com a maior liberação de emendas parlamentares de 2025. Foram pagos R$ 1,6 bilhão, justamente no momento em que o Congresso impôs a maior derrota ao presidente Lula no atual mandato: a derrubada do reajuste do IOF.
A última vez que o Planalto desembolsou valor semelhante em uma única semana foi entre 17 e 21 de fevereiro. Na ocasião, Lula tentava negociar a votação do Orçamento de 2025. Naquele período, o governo liberou R$ 1,2 bilhão em emendas.
Até agora, o governo já pagou R$ 8,5 bilhões em emendas este ano. Só na semana passada, quase 20% desse total foi liberado. Ainda há R$ 50,38 bilhões autorizados, dos quais R$ 38,65 bilhões são de pagamento impositivo, ou seja, obrigatórios até 31 de dezembro.
Liberação de emendas é estratégia
A liberação das emendas tem sido uma estratégia do Planalto para tentar destravar o diálogo com o Congresso. A relação entre os Poderes, no entanto, chegou ao ponto mais crítico com a derrubada do aumento do IOF.
A derrota foi surpresa para Lula, mas já havia tensão nos bastidores. Deputados e senadores reclamavam da postura do governo após o Congresso derrubar vetos que evitavam alta na conta de luz. O Executivo tentou se isentar e deixou para o Parlamento o peso da decisão impopular.
Parlamentares também citam o atraso nos repasses como fonte de desgaste. Muitos reclamam da retenção de valores referentes a emendas de anos anteriores, como 2023. Até a votação do IOF, o Planalto havia segurado R$ 8,3 bilhões de 2023 e outros R$ 12,21 bilhões de 2024.
Além disso, o governo aposta na pressão sobre as emendas para aprovar a nova Medida Provisória com medidas arrecadatórias. A mensagem é clara: sem aumento de receitas, haverá cortes. E isso pode atingir em até 25% o valor reservado aos parlamentares.
Segundo fontes do Palácio do Planalto, a queda do IOF somada à falta de novas fontes de receita deve obrigar o governo a bloquear R$ 12 bilhões no Orçamento. Desse total, cerca de R$ 3 bilhões em emendas podem simplesmente não sair do papel.