As instalações sanitárias que atendem migrantes e refugiados em situação de rua voltaram a funcionar nesta segunda-feira (30) em Boa Vista e Pacaraima, na fronteira com a Venezuela.
As unidades, administradas pela Cáritas Brasileira, estavam fechadas desde janeiro de 2025, quando o governo dos Estados Unidos suspendeu o repasse de recursos destinados à ajuda humanitária em outros países.
Agora, os locais funcionam todos os dias, das 8h às 17h, oferecendo serviços gratuitos como banheiros, duchas, fraldários, lavanderia e bebedouros com água potável.
Com a reabertura, a bandeira dos Estados Unidos e o nome da Agência dos EUA para o Desenvolvimento Internacional (USAID) voltaram a ser exibidos nos espaços. Ambos estavam cobertos desde o fechamento, no início do ano.
Retorno foi possível com apoio de doações
De acordo com a Cáritas, a reabertura das instalações sanitárias em Boa Vista e Pacaraima foi possível graças ao diálogo com instituições públicas e internacionais, além da campanha “A Sua Doação Promove Direitos”.
A iniciativa arrecadou fundos para reativar parcial ou totalmente os espaços de higiene mantidos em Roraima.
As instalações haviam sido reabertas de forma emergencial por dez dias em fevereiro, com recursos próprios. Durante os últimos três meses em que funcionaram antes do fechamento, entre novembro de 2024 e janeiro de 2025, mais de 4 mil pessoas foram atendidas.
Todas as unidades fazem parte do projeto Orinoco: Águas que Atravessam Fronteiras, que presta apoio a migrantes em situação de vulnerabilidade. Em 2024, mais de 50 mil pessoas utilizaram os serviços oferecidos nas duas cidades roraimenses.
O corte da ajuda humanitária foi determinado pelo então presidente dos EUA, Donald Trump, afetando diretamente a continuidade de diversos projetos sociais no Brasil.

Projeto ‘Sumaúma’ de distribuição de comida também foi retomado
Outro projeto afetado pela suspensão de verbas foi o “Sumaúma: Nutrindo Vidas”, que distribui refeições a migrantes, refugiados e pessoas em situação de vulnerabilidade em Roraima.
Suspenso em fevereiro, o projeto retomou parte das atividades em maio, com a oferta de almoço no Posto de Recepção e Apoio (PRA) da Operação Acolhida, em Boa Vista. Antes, o serviço também oferecia café da manhã.
A retomada só foi possível por meio de doações de alimentos feitas pela Igreja de Jesus Cristo dos Santos dos Últimos Dias, por moradores e por outras instituições parceiras. Agora, o projeto também conta com o apoio financeiro da organização Catholic Relief Services (CRS).
