O Boi Garantido emocionou ao exaltar o sagrado Manto Tupinambá, nesta sexta-feita (27), durante a primeira noite do Festival de Parintins.
Para o momento especial, a agremiação trouxe para a arena representantes do povo Tupinambá de Olivença, no sul da Bahia.
Em nome da cacique Jamopoty Tupinambá, Maria Valdelice, a comunidade luta pela devolução do item sagrado que, depois de mais 300 no exterior, voltou ao Brasil, porém para o Museu Nacional do Rio de Janeiro.
Para representar o manto, um grupo de dança do Garantido se reuniu em uma arquibancada, formando um desenho coreografado. O manto real é confeccionado com penas de aves.

“O manto vive!”
Durante coletiva na quinta-feira (26), às vésperas do Festival de Parintins, o Boi Garantido recebeu a cacique para falar sobre o Manto Tupinambá.
A líder indígena destacou a importância histórica do artefato e reforçou o pedido de devolução ao Território Tupinambá de Olivença, na Bahia.
Emocionada, relembrou que o manto passou 386 anos na Dinamarca antes de retornar ao Brasil: “O manto vive! E o Garantido vai contar essa nova história.”
Filha de Amotara Tupinambá, pioneira na luta pela repatriação, Maria também mencionou os conflitos pela demarcação de terras, mas celebrou o espaço de resistência e cultura de Parintins.
Caprichoso também tem homenagem aos Tupinambá
O boi Caprichoso anunciou, em coletiva na quarta-feira (25), que também exaltará o sagrado na arena. A agremiação leva ao Bumbódromo o Manto Tupinambá do “novo milênio”.
Diferente dos mantos históricos, essa nova versão tem caráter simbólico, exaltando o manto como ente vivo e ritualístico, não apenas como objeto museológico.

Gilvana Borari, artista indígena e Conselheira de Arte do Caprichoso, foi escolhida como guardiã da peça, reforçando a ligação entre tradição indígena e identidade cultural no Festival de Parintins.