Pagamento em dinheiro volta a ser permitido nos ônibus de Manaus após decisão da Justiça; veja detalhes

Redação Portal Norte

A Justiça suspendeu, no último sábado (21), a decisão da Prefeitura de Manaus e do Sindicato das Empresas de Transporte de Passageiros do Amazonas (Sinetram) que proibiria o pagamento da passagem de ônibus em dinheiro.

A medida começaria a valer nesta segunda-feira (23) e obrigaria os passageiros a usarem apenas cartões para pagar a tarifa.

Justiça suspende proibição de pagamento em dinheiro nos ônibus de Manaus

A juíza Sanã Almendros, do Tribunal de Justiça do Amazonas (TJAM), entendeu que a mudança foi anunciada com pouca antecedência e sem campanhas de orientação para a população.

Além disso, ela alertou que a medida poderia prejudicar pessoas que dependem do transporte público todos os dias, especialmente as mais vulneráveis.

A iminência da data de início da eficácia da medida revela situação de perigo real e concreto, na medida em que o novo modelo de cobrança está prestes a ser imposto à população usuária com mecanismo de transição precários […] pois a restrição imposta, no sentido de suprimir a utilização do dinheiro em espécie como meio de pagamento do transporte coletivo urbano, representa, na prática, uma alteração significativa na forma de acesso a serviço público essencial ainda que parcial, pode implicar em um prejuízo substancial a população mais carente que utiliza diuturnamente os referidos serviços“, explicou a juíza.

Decisão da juíza – Foto: Divulgação/TJAM.

Autorização

A decisão judicial atendeu a um pedido do vereador Rodrigo Guedes (Progressistas), que alegou que a Prefeitura agiu sem autorização da Câmara Municipal.

O parlamentar também lembrou que a função dos cobradores está prevista em lei, e a medida poderia afetar seus empregos. O Ministério Público do Amazonas, no entanto, foi contra o pedido do vereador.

Trecho da decisão judicial assinada pela juiz cível do TJAM – Foto: Divulgação/TJAM.

Nota à imprensa

Em nota à imprensa, Guedes criticou a Prefeitura e o prefeito David Almeida, chamando a decisão de “covarde”.

De acordo com ele, o Sinetram anunciou a proibição sem que o Instituto Municipal de Mobilidade Urbana (IMMU) se manifestasse oficialmente.

“São tão covardes, que o Sinetram anunciou a proibição e o IMMU simplesmente não se manifestou, ou seja, David Almeida passou a faixa de Prefeito para o Presidente do Sinetram!”, afirmou Guedes.

Posteriormente, o parlamentar comemorou a decisão da Justiça, mas disse que a luta ainda não acabou, já que a Prefeitura pode recorrer.

“Conseguimos uma vitória, mas a batalha está só começando, pois com certeza a Prefeitura agora vai dar as caras e vai recorrer”, finalizou.

*Com informações da Revista Cenarium