Uma estudante informou que viu, em uma área de mata, um homem foragido. Trata-se de Francisco Jailson Silva da Costa, de 31 anos, fugiu durante escolta policial, há uma semana, no Acre.
Ele fugiu depois de passar por audiência de custódia, enquanto a escola o levava para a viatura da Polícia Civil.
Francisco foi preso por suspeita de assassinar Daniel Saraiva de Mendonça, também de 31 anos, em Rodrigues Alves, no interior do Acre. O crime ocorreu na quinta-feira (12), enquanto a audiência e a fuga no dia seguinte, sexta-feira (13).
De acordo com o delegado Marcilio Laurentino, responsável pelo caso, apenas uma adolescente afirmou ter visto o homem foragido. Ela o avistou em uma área de mata enquanto seguia para a escola. O suspeito estaria com uma algema rosa em uma das mãos.
“Ela viu ele saindo de uma rua para outra, no meio do matagal. Disse que ele ainda estava com uma algema rosa. Esse foi o único relato até agora”, contou o delegado em entrevista ao Portal G1.
Rumores indicam que Francisco estaria escondido em uma área de mata próxima à casa da família, possivelmente recebendo ajuda com comida. Contudo, buscas feitas em diferentes horários não encontraram pistas concretas até o momento.
A Polícia Civil também esteve nas casas de parentes em busca de informações. “Já revistamos todas as residências da família. Falaram que ele estaria ameaçando a ex-mulher, por conta de uma punição de facção, mas não houve confirmação de nada disso”, destacou Laurentino.
O crime do homem foragido
O irmão de Daniel Mendonça o encontrou morto na manhã do dia 12 deste mês, no bairro São Francisco, em Rodrigues Alves. A Polícia Militar foi acionada imediatamente após a descoberta do corpo.
De acordo com o major Abraão Silva, comandante da PM no Juruá, testemunhas relataram que a motivação do crime foi um acerto de contas entre facções. No mesmo dia, Francisco foi preso como principal suspeito. Ele admitiu estar no local, mas alegou que outra pessoa desferiu as facadas.
A fuga
Durante a audiência, a defensora pública solicitou que Francisco tivesse as mãos algemadas à frente, e não atrás. Após a audiência, a prisão preventiva foi decretada. Ao sair do Fórum, Francisco aproveitou um momento de descuido e correu em direção ao mato.
Segundo Laurentino, o Instituto de Administração Penitenciária do Acre (Iapen-AC) deveria ter feito o transporte do homem, que agora é foragido, ao presídio. Contudo, por falta de viatura na região, a tarefa ficou com a Polícia Civil, que escoltava o preso com apenas duas agentes.
“A responsabilidade é do Iapen após a audiência. Mas, por conta da ausência de estrutura, nós acabamos levando para a delegacia. Só que lá também não há celas. Estamos há dois anos sem nenhuma cela”, afirmou o delegado.
Ele explicou que a escolta foi improvisada, pois o restante da equipe estava em operação em Marechal Thaumaturgo. “Por camaradagem, a gente leva o preso até a delegacia, mas essa não é nossa função. E não temos estrutura adequada”, completou.
Pronunciamentos oficiais
O Lapen-AC confirmou que, no momento da fuga, o suspeito estava sob custódia da Polícia Civil. Já o Tribunal de Justiça do Acre informou que a juíza Mirella Ribeiro converteu a prisão em flagrante em preventiva, diante da gravidade do caso.
Em nota, o TJ-AC ressaltou que a fuga aconteceu fora das dependências do Fórum. “O Poder Judiciário reforça seu compromisso com a legalidade, a transparência e a colaboração com as instituições de segurança pública”, declarou o órgão.