Lago do Aeroporto de Manaus: conheça a história do espelho d’água que virou aquaterrário

Redação Portal Norte

Quem passava pelo Aeroporto Internacional Eduardo Gomes, em Manaus, nas décadas passadas, certamente notava um detalhe que chamava atenção logo na entrada: um grande espelho d’água.

Instalado nos anos 1970 como parte do paisagismo do terminal, o lago foi pensado para dar um ar moderno e acolhedor no aeroporto.

E funcionava, afinal, quem não se encantava ao ver aquele cenário logo ao desembarcar? No entanto, com o tempo, o lago começou a apresentar um incômodo: a proliferação de algas.

O problema com as algas

Quando morriam, as plantas aquáticas causavam mau cheiro. A solução temporária era esvaziar os tanques sempre que o odor aparecia, mas o problema acabava voltando.

A situação só começou a mudar nos anos 1990, quando foi implantado um projeto para controlar as algas por meio da introdução de peixes nos reservatórios.

Espécies como o tambaqui foram escolhidas por se alimentarem de plâncton, que inclui as algas. Os peixes se adaptaram bem ao ambiente e ajudaram a manter o lago limpo, sem necessidade de esvaziamento constante.

Lago do Aeroporto de Manaus – Foto: Divulgação/Infraero.

A introdução de peixes e, depois, de tartarugas transformou o espelho d’água em um ponto de interesse dentro do aeroporto.

O local passou a atrair olhares curiosos, especialmente de crianças e turistas, que paravam para observar os animais. Portanto, o lago se tornou parte da rotina de quem trabalhava e circulava por ali.

O início dos aquaterrários

Com a reforma do aeroporto, em 2011, surgiu a necessidade de ampliar o estacionamento. E o lago teve de sair de cena. Mas ele sumiu completamente? A resposta é: não.

Os peixes foram retirados do lago do Aeroporto de Manaus devido à reforma – Foto: Reprodução/Redes sociais.

Para manter os animais e preservar parte do antigo atrativo, foram construídos dois aquaterrários no subsolo do aeroporto, próximos ao saguão de desembarque.

Com isso, o aeroporto passou a ter licença ambiental e ganhou o status de Jardim Zoológico, reconhecido oficialmente pelo Instituto de Proteção Ambiental do Amazonas (Ipaam).

Como estão os aquaterrários hoje?

Hoje, abriga cerca de 50 tartarugas de diferentes espécies, em ambientes fechados e monitorados. Elas recebem cuidados veterinários, alimentação adequada e ficam em ambientes controlados.

Não há mais contato direto com o público. Contudo, os visitantes podem observar os quelônios por trás de vidros. É a mesma coisa? Talvez não.

Ainda assim, a visitação continua sendo parte da experiência do aeroporto, especialmente para escolas da região que fazem passeios educativos.

Mesmo fora do local histórico e com outro formato, o antigo lago segue presente na memória afetiva de muitos manauaras e visitantes.

As tartarugas ficam nos aquaterrários localizados nas duas extremidades do subsolo, na área de embarque. Quando o sol esquenta, elas costumam sair da água, o que facilita a visualização pelos visitantes.