Manaus, cercada pela maior bacia hidrográfica do planeta, enfrenta um desafio histórico: garantir saneamento básico para sua população.
Agora, a expansão da coleta e tratamento de esgoto está transformando a relação da cidade com seus rios e igarapés.
Essas ações ganham um significado a mais no Dia Mundial do Meio Ambiente, celebrado em 5 de junho, data que reforça a importância da reflexão sobre o legado que será deixado para as futuras gerações.
Programa de Saneamento em Manaus
Por décadas, a capital amazonense lançou a maioria de seus efluentes in natura nos cursos d’água que cortam a cidade.

Hoje, porém, um programa de saneamento busca reverter esse cenário. O “Trata Bem Manaus”, implementado pela concessionária local, já leva redes coletoras e Estações de Tratamento de Esgoto (ETEs) a diversos bairros, com meta de universalização até 2033.
“Investir em esgoto é investir em meio ambiente”, afirma Pedro Augusto Freitas, diretor-presidente da Águas de Manaus.
“Cada metro de rede implantada significa menos poluição nos igarapés, menos doenças e mais dignidade. É um ciclo que começa nas tubulações, mas se reflete em rios limpos, solo saudável e floresta preservada”
Como a população está fazendo parte dessa mudança
Enquanto obras avançam em 13 bairros, equipes de conscientização percorrem as comunidades para explicar a importância da adesão ao sistema.
Em locais como o Cidade Nova, onde o serviço já chegou, moradores como a empreendedora Tainá Chaves celebram a diferença.

“Antes, eu não entendia o impacto do esgoto no meio ambiente. Hoje, sei que minha casa e meu restaurante contribuem para um futuro melhor. Se cada um fizer sua parte, poderemos ver nossos igarapés limpos novamente”, relata.
O desafio nacional e o papel do cidadão
Dados do Instituto Trata Brasil revelam que apenas 51,2% do esgoto no país é tratado – o equivalente a 5,5 mil piscinas olímpicas de resíduos despejados diariamente na natureza.
Em Manaus, onde a cobertura atual é de 34%, a meta é atingir 60% em dois anos e 90% até 2033, com investimentos de R$ 3 bilhões.

“A ligação correta das casas à rede é vital. Sem ela, o esgoto contamina solos, rios e a saúde pública. O cidadão é peça-chave nessa mudança”, reforça Luana Pretto, presidente do Instituto Trata Brasil.
Um futuro possível
Com 2,7 milhões de metros de redes coletoras e 70 ETEs em implantação, Manaus dá passos decisivos para conciliar desenvolvimento urbano e preservação ambiental.
“Só com a participação de todos teremos igarapés vivos e uma cidade mais sustentável”, conclui Renee Chaveiro, diretor-executivo da concessionária.