COP 30 à vista, mas e Belém? Conheça a realidade da ‘capital da Amazônia’ fora da vitrine verde

Redação Portal Norte

A 30ª Conferência das Nações Unidas sobre Mudança do Clima (COP 30) atrai olhares para Belém, capital do estado do Pará. Como a “metrópole da Amazônia”, a cidade sede revela semelhanças marcantes com suas capitais vizinhas.

Na vitrine: a Amazônia ideal, com suas vastas áreas verdes — ricas em mistério e cura — e sua fauna guardiã. Na realidade: a Amazônia urbana, que polui igarapés, acumula lixos e mira em uma floresta devastada.

Os moradores sentem e questionam: onde eu me encaixo na Belém da COP 30? Nas redes sociais, internautas expõem cenários “não-comercializáveis” da cidade, como igarapés poluídos, lixos espalhados em áreas inadequadas e casas erguidas sob esgotos.

Veja:

@snr_eleson Belém-PA, Capital da COP30 #belemdopará #capitaldacop30 #cop #cop30 #amazonia #brasil #brasil🇧🇷 #meioambiente #norte ♬ Poker Face – Edit – Lady Gaga

Saneamento e vulnerabilidade social

Belém, sede da COP 30, amarga em 8º lugar no ranking negativo do Saneamento do Instituo Trata Brasil (ITB). Em abril deste ano, a colunista Andréia Peres, do Veja, levantou dados importantes sobre a saúde das pessoas do Norte.

Segundo o estudo do Trata Brasil, cerca de 35 mil internação na Região Norte em 2024 estiveram relacionadas ao saneamento inadequado. Do total, 18,984 ocorreram no estado do Pará por transmissão feco-oral.

O estudo ainda expõe outro recorte importante: os mais afetados por doenças características da falta de saneamento ocupam posições de vulnerabilidade social. No grupo entram crianças, idosos, mulheres, pardos e indígenas.

Vila da Barca expõe descaso na COP 30, em Belém - Foto: Helena Palmquist/ Divulgação/MPF-PA
Vila da Barca expõe descaso na COP 30, em Belém – Foto: Helena Palmquist/ Divulgação/MPF-PA

Ilustrando o descaso, uma das maiores favelas de palafitas da América Latina vive uma ironia. Para atender a COP 30, Belém realiza algumas melhorias estruturais, como o projeto da Nova Doca.

Com as promessas de água despoluída, drenagem, uma estrutura para evitar inundações e uma tubulação de água potável, surge o projeto. Entretanto, os rejeitos produzidos não ficaram aos olhos da área nobre: o esgoto será despejado na Vila da Barca.

Helder Barbalho (MDB) desapropriou um prédio na região para tal funcionalidade, obrigando moradores dos arredores a conviver com o mau-cheiro.

O Trata Brasil revelou que, em 2022, mais de 17 milhões de habitantes da Região Norte viviam em condições precárias de saneamento básico. Neste total, segundo dados do Sistema Nacional de Informação sobre Saneamento (SNIS), cerca de 6,5 milhões vivem sem acesso à água e quase 15 milhões sem coleta de esgoto.

No ranking de falta de coleta de esgoto, o Pará dispara com 7.428.733 habitantes em vulnerabilidade. Logo abaixo fica o Amazonas, com 3.381.021 pessoas. Em terceiro, Rondônia, com 1.440.625.

Falta de coleta de esgoto - Foto: Sora.
Falta de coleta de esgoto – Foto: Sora.

Vale lembrar: Conforme o Novo Marco Legal do Saneamento Básico, o país deve atender 99% da população com coleta e tratamento adequado. Será que em oito anos a região Norte consegue cumprir a meta?