Esta abelha da Amazônia acelera cicatrização, combate inflamações e você não conhece

Redação Portal Norte

Pesquisadores da Embrapa Amazônia Oriental (PA) e da Universidade Federal do Pará (UFPA) desenvolveram um creme cicatrizante feito com própolis da abelha-canudo, espécie sem ferrão nativa da Amazônia.

O produto promoveu uma cicatrização mais rápida e reduziu a inflamação em testes com cobaias. Além disso, em muitos casos, superou pomadas comerciais disponíveis no mercado.

Ambiente com açaí melhora a qualidade da própolis de abelha da amazônia

Os pesquisadores extraíram a própolis de colmeias localizadas em plantações de açaí (Euterpe oleracea). A abelha-canudo é uma abelha da amazônia, polinizadora ativa dessa palmeira, que contém altos níveis de compostos fenólicos e antocianinas.

Assim, esse ambiente natural pode ter potencializado a concentração de substâncias bioativas na própolis. Esses compostos têm forte ação antioxidante e cicatrizante.

A pesquisa foi realizada no Centro de Valorização de Compostos Bioativos da Amazônia. Foto: Cristiano Menezes/Universidade de São Paulo/Divulgação

Projeto valoriza os ativos da biodiversidade amazônica

O estudo — intitulado “A atividade curativa da abelha-sem-ferrão, criado na monocultura do açaí, em ferimentos induzidos em ratos” — faz parte de uma iniciativa da Embrapa Amazônia Oriental para valorizar os bioprodutos da floresta.

A pesquisa foi realizada no Centro de Valorização de Compostos Bioativos da Amazônia, com apoio do projeto Agrobio, financiado pelo Fundo Amazônia via BNDES. Além disso, os resultados foram publicados na revista científica Molecules.

Estudo mostra superioridade do creme natural proveniente de abelha da amazônia

Visualmente, tanto o creme quanto a pomada comercial reduziram o tamanho das feridas. No entanto, análises microscópicas mostraram que o creme com própolis regenerou fibras colágenas tipo 1 e 3 de forma mais eficiente.

Além disso, provocou menor resposta inflamatória, o que acelera a recuperação dos tecidos e melhora a qualidade da pele cicatrizada.

Esse é o primeiro registro científico de um creme cicatrizante produzido com própolis coletada em áreas de cultivo de açaí. O novo biofármaco traz menos riscos de efeitos adversos.

Ele usa conservantes em quantidades mínimas e reduz a presença de resíduos químicos. Por isso, apresenta vantagens como uma alternativa segura e sustentável.

Propriedades conhecidas desde a Antiguidade

Os seres humanos usam a própolis há séculos. Serve como remédio natural e também em cosméticos. Nas colmeias, ela protege contra fungos, vírus e bactérias. Ao contrário de outras espécies nativas, a abelha-canudo não mistura barro na própolis. Isso evita a contaminação do produto por impurezas do solo.

Meliponicultura fortalece a produção de própolis

Abelhas-canudo são típicas abelhas da Amazônia. Foto: Cristiano Menezes/Universidade de São Paulo/Divulgação

A abelha-canudo visita flores masculinas e femininas do açaizeiro, o que favorece a polinização e aumenta a produção do fruto.

Ela também gera uma quantidade maior de própolis em comparação com outras espécies. Por isso, tem despertado o interesse de produtores da região. A meliponicultura se mostra uma atividade promissora na Amazônia.

Durante os testes, as abelhas chegaram a voar até 300 metros para coletar resinas nas plantações de açaí. Esse comportamento reforça a influência direta do ambiente sobre a qualidade da própolis.

Escala comercial ainda é um desafio

Apesar de as pesquisas terem bons resultados, a quantidade de própolis por colmeia ainda é pequena. Para escalar a produção, é necessário envolver vários produtores.

Pesquisadores também estudam o pólen da abelha-canudo, que é rico em aminoácidos. Já o mel da espécie, apesar de promissor, ainda não tem produção em volume suficiente para venda em larga escala.