Você ronca à noite? Entenda por que isso pode ser sinal de um problema grave de saúde

Redação Portal Norte

Sentir sono excessivo durante o dia, apresentar fadiga constante e sofrer com falta de foco são queixas comuns entre adultos. Muitas vezes, esses sintomas são atribuídos ao estresse ou à rotina intensa.

No entanto, um dos responsáveis mais subestimados pode estar justamente durante o momento que deveria ser de descanso: o ronco noturno.

Embora muita gente considere esse barulho um incômodo inofensivo, o ronco pode ser um sinal claro de distúrbios respiratórios do sono, como a apneia obstrutiva do sono, uma condição grave que afeta diretamente o coração, os vasos sanguíneos e a saúde como um todo.

O que provoca o ronco e por que ele acontece?

O ronco surge quando o ar tem dificuldade para passar pelas vias respiratórias superiores, fazendo com que os tecidos moles da garganta vibrem.

A principal área afetada costuma ser o palato mole (parte posterior do céu da boca) e a úvula (aquela estrutura em formato de gota). Essa vibração é o som que ouvimos quando alguém ronca.

O estreitamento das vias aéreas pode ocorrer por vários motivos, entre eles:

  • Obstrução nasal
  • Excesso de peso
  • Flacidez muscular na garganta
  • Desvio de septo
  • Amígdalas aumentadas
  • Avanço da idade
  • Consumo de álcool ou medicamentos sedativos
  • Tabagismo

Quando o ronco indica algo mais sério: apneia do sono

Em muitos casos, o ronco não é apenas um ruído incômodo, mas sim um sintoma de apneia obstrutiva do sono (SAOS). Essa condição é caracterizada por pausas repetidas na respiração durante o sono, causadas pelo colapso parcial ou total das vias aéreas.

As consequências são graves: durante as apneias, o corpo sofre com a queda da oxigenação no sangue, o que ativa respostas de emergência como aumento da frequência cardíaca, da pressão arterial e liberação de adrenalina.

Essas alterações ocorrem repetidamente ao longo da noite, colocando o organismo sob estresse contínuo — como se estivesse em uma maratona enquanto deveria estar descansando.

Estudos associam a apneia não tratada a hipertensão, infarto do miocárdio, AVC e até morte súbita, especialmente em pessoas que já possuem doenças cardiovasculares.

Dormir
O excesso de sono durante o dia pode indicar alguma doença. – Foto: Pexels

Como tratar o ronco e a apneia do sono?

O tratamento vai depender da gravidade do quadro, avaliada por meio de exames como a polissonografia. Entre os principais métodos estão:

Mudanças de hábito:

  • Evitar álcool e sedativos antes de dormir
  • Reduzir o peso corporal
  • Dormir de lado e com a cabeça levemente elevada
  • Abandonar o cigarro

Tratamentos não invasivos:

  • Aparelhos intraorais para manter as vias aéreas abertas
  • Fonoaudiologia para fortalecer a musculatura da garganta
  • Indicado em casos leves a moderados

Terapia com CPAP:
Para casos moderados a graves, o CPAP (pressão positiva contínua nas vias aéreas) é o tratamento padrão. O aparelho envia um fluxo constante de ar que evita o colapso da garganta, mantendo a respiração estável durante toda a noite.

Cirurgias:
Consideradas opções de exceção, as intervenções cirúrgicas só são recomendadas em situações específicas, quando outros tratamentos não oferecem os resultados esperados.

Mais do que um barulho incômodo, o ronco pode representar um alerta importante do corpo. Identificar suas causas e buscar tratamento adequado é essencial para preservar a saúde física e mental, além de evitar complicações cardiovasculares sérias.

Esta matéria é um conteúdo informativo e não pode substituir uma consulta médica.

*Com informações de Drauzio Varella, Viva Bem, Biblioteca Virtual em Saúde, SBPT.