Mais de 3 mil indígenas realizam um festival que envolve diversas atividades com competições ancestrais na aldeia Marajaí, em Alvarães (a 535 km de Manaus), no Amazonas.
Nesta segunda-feira (14), os indígenas acenderam a tocha da III Edição dos Jogos e Danças Interculturais para dar início ao festival.

O evento, que segue até o Dia dos Povos Originários (19), combina competições esportivas, apresentações culturais e debates sobre a defesa de territórios e do meio ambiente.
Festival reúne indígenas em evento no Amazonas
Com o tema “Proteção da Terra Mãe”, o festival resgata práticas ancestrais em 13 modalidades, como arco e flecha, subida no açaizeiro, zarabatana e canoagem.

Participam 16 aldeias, incluindo Améria, Bauana e Ponta da Castanha, que também apresentaram danças e músicas típicas na abertura.

O tuxaua Jeferson Tikuna, da Aldeia Macedônia, destacou o impacto do evento.
“Nossas crianças estão revivendo a língua, as danças e os esportes tradicionais. É um marco para nossa cultura”, disse.
Crise climática e luta territorial
A escolha do tema reflete a realidade local: em 2023 e 2024, a seca histórica no Médio Solimões isolou aldeias, reforçando a urgência de ações ambientais.
Charles Mayoruna, ativista da aldeia Marajaí, alertou: “Somos guardiões da floresta, mas a Amazônia é de todos. Precisamos unir forças para mantê-la em pé”.
Resgate arqueológico
Alvarães ganha destaque como território de tradição indígena redescoberta: vasos e urnas centenárias encontradas às margens do rio Solimões e do Lago Tefé comprovam a ancestralidade da região.

O festival, criado há três anos, é fruto desse resgate.
Encerramento e premiações
No dia 19, o evento termina com disputas simbólicas: o “casal guerreiro” e a “indígena mais bela” de cada aldeia. O prefeito Lucenildo Macedo, apoiador desde a primeira edição, garantiu premiações e logística.