Plínio Valério diz que usou ‘termos fortes’ e pede desculpas por falar em enforcar Marina Silva

Redação Portal Norte

O senador Plínio Valério (PSDB-AM) emitiu uma nota pública nesta quinta-feira (20). Ele se manifestou sobre as críticas recebidas após declarações polêmicas sobre Marina Silva.

As críticas surgiram após o parlamentar afirmar ter “vontade de enforcar” a ministra durante um evento no Amazonas no dia 14 de março. Por conta da fala, o parlamentar enfrenta uma denúncia formal no Conselho de Ética do Senado, assinada por dez deputadas.

Na nota enviada ao Portal Norte, o senador explicou que fez as declarações em um contexto privado, fora do espaço institucional. O comentário ocorreu durante uma reunião com empresários do Amazonas sobre a BR-319.

No entanto, admitiu que usou “termos fortes” e que por ser senador não deveria ter utilizado.

Ele também mencionou o longo depoimento de Marina Silva na CPI das ONGs. Segundo ele, a ministra teria dito que não liberaria a rodovia apenas para a população “passear de carro”. Em resposta ao senador, a ministra disse que sofreu uma violência política de gênero.

Senador pediu desculpas

O parlamentar lamentou a exploração política do episódio e destacou sua trajetória em defesa das mulheres, citando projetos de lei que apresentou.

“Minhas divergências são em relação à atuação da ministra Marina Silva, e não à sua pessoa. Peço desculpas, de forma sincera, a todos que se sentiram ofendidos pela minha infeliz colocação“, finaliza a nota.

Denúncia ao Conselho de Ética

A denúncia ao Conselho de Ética do Senado foi formalizada por dez deputadas federais, que classificaram as falas do senador como “incitação à violência” e “desqualificação do debate político“. Além disso, as parlamentares argumentaram que o uso do termo “enforcar” em referência a uma mulher, em um contexto de discordância política, reforça a cultura de ameaça e silenciamento das mulheres na política.

“O teor de sua fala ultrapassa os limites da imunidade parlamentar, uma vez que não possui qualquer relação com sua atuação como representante do estado do Amazonas, mas, sim, um evidente caráter de violência de gênero”, afirmaram as deputadas no documento.

Apoiaram o documento as deputadas Benedita da Silva (PT-RJ), Duda Salabert (PDT-MG), Enfermeira Ana Paula (Podemos- CE), Gisela Simona (União Brasil -MT), Jandira Feghali (PC do B – RJ), Laura Carneiro (PSD-RJ), Maria Arraes (Solidariedade – PE), Tabata Amaral (PSB-SP), Talíria Petroni (Psol – RJ), além do deputado Túlio Gadêlha (Rede-PE).

Repercussão no Senado

O presidente do Senado, Davi Alcolumbre (União-AP), também se manifestou sobre o caso, classificando as declarações de Plínio Valério como “inadequadas e agressivas“. Por fim, Alcolumbre afirmou que discorda de muitas posições da ministra Marina Silva, mas destacou que o senador precisa justificar e refletir sobre sua fala.

“Estamos vivendo um momento tão difícil que uma fala de um senador da República, mesmo de brincadeira, agride, infelizmente, o que nós estamos querendo para o Brasil”, afirmou.