No Brasil, quase quatro milhões de pessoas vivem em regiões vulneráveis a deslizamentos, enxurradas, enchentes e alagamentos, segundo o Serviço Geológico do Brasil, vinculado ao Ministério de Minas e Energia. A exposição a ambientes contaminados pode aumentar a chance de se infeccionar com tétano, principalmente para aqueles com ferimentos expostos.
Socorristas, voluntários e moradores de áreas afetadas por enchentes estão mais suscetíveis a ferimentos durante a evacuação e limpeza desses locais, o que eleva o risco de infecção por tétano.
O que é o tétano e como ocorre a infecção?
O tétano é uma infecção bacteriana grave causada pela Clostridium tetani, microrganismo presente em objetos metálicos, madeira, vidro, terra, fezes, poeira e até na pele humana. A bactéria libera toxinas que afetam o sistema nervoso, causando espasmos musculares severos e podendo levar à morte.
A importância da vacinação
A vacinação é a forma mais eficaz de prevenir o tétano. O imunizante faz parte do calendário vacinal infantil e deve ser aplicado aos 2, 4 e 6 meses de idade, com reforços entre 15 e 18 meses, 4 e 6 anos, além da dose de reforço entre 11 e 12 anos.
No entanto, a proteção não dura a vida toda, e os adultos precisam reforçar a imunização a cada 10 anos para manter a defesa contra a doença.
O tétano e o contato com águas de enchente
Embora a água das enchentes não aumente diretamente o risco de tétano, os ferimentos causados durante o desastre podem se tornar portas de entrada para a bactéria. Perfurações, cortes, arranhões e lacerações expostos a resíduos humanos, solo e água contaminada exigem atenção imediata.
Em alguns casos, os profissionais de saúde podem recomendar um reforço da vacina antes do prazo de 10 anos, especialmente se o último imunizante tiver sido aplicado há mais de cinco anos.
Como é feito o tratamento do tétano?
O tétano exige atendimento médico imediato. O tratamento pode incluir:
- Ventilação mecânica, em casos mais graves;
- Uso de imunoglobulina humana antitetânica (IGHAT) para neutralizar toxinas;
- Antibióticos para combater a infecção;
- Benzodiazepinas para controlar os espasmos musculares;
- Cuidados hospitalares intensivos para estabilizar o paciente.
Além disso, é essencial manter o paciente em um ambiente silencioso e adotar medidas para impedir a disseminação da toxina no organismo.
Como se proteger durante enchentes?
Para reduzir os riscos, especialistas recomendam:
- Manter a vacinação em dia;
- Evitar contato direto com águas contaminadas;
- Usar botas e luvas ao limpar locais afetados;
- Procurar atendimento médico ao sofrer qualquer ferimento.
Manter a prevenção é fundamental para evitar o tétano e garantir a segurança de quem vive ou trabalha em áreas impactadas por enchentes e desastres naturais.