Que tecnologias disruptivas têm potencial para causar mais impacto na humanidade ao longo de 2025? Essa lista seleta é elaborada anualmente pela revista do MIT, o prestigioso Massachusetts Institute of Technology, e divulgada na SXSW, festival South by SouthWest, que é realizado em Austin, Texas.
Niall Firth, editor executivo da revista MIT Review, elencou as dez mais deste ano, e deixou aos presentes na sessão a missão de eleger juntos a “décima primeira”.
1 – Observatório Vera Rubin
Localizado no Chile, o Observatório Vera C. Rubin é primeiro da lista. O mega projeto vai realizar um estudo de 10 anos que vai mapear o céu com detalhes sem precedentes. Equipado com a maior câmera digital do mundo, do tamanho de um carro pequeno, o equipamento vai explorar mistérios como a matéria escura e a energia escura, que compõem 95% do universo.
Em outras palavras, tudo o que sabemos do universo onde estamos inseridos diz respeito a apenas 5% da sua composição. Conhecer o outro lado deve revolucionar a nossa compreensão sobre o cosmos. E o telescópio fará isso com fotografias noturnas feitas no melhor lugar do mundo para se observar as estrelas, o deserto do Atacama, onde a umidade reduzida e alta altitude ajudam a ter pouca interferência.
2 – “Dar um Google” agora com inteligência artificial
A forma como nós buscamos informações na internet – que nos acostumamos a chamar de “dar um Google”, está mudando drasticamente. Muitos já nem dão um Google, preferem usar IAs como o ChatGPT ou DeepSeek. E até mesmo o Google já não apresenta os resultados como antigamente, mas mostra um sumário (o overview) produzido por IA.
“É a maior mudança em décadas na forma como navegamos na internet. Empresas como Google e Microsoft estão integrando grandes modelos de linguagem (LLMs) em seus mecanismos de busca, permitindo respostas instantâneas e conversacionais. Em vez de listas de links, os usuários recebem resumos gerados na hora. Isso torna a busca mais intuitiva, mas também levanta preocupações sobre precisão e confiabilidade”, comentou Firth na apresentação.

É a maior mudança em décadas na forma como navegamos na internet”, diz o editor da revista do MIT, Niall Firth
3 – Pequenos modelos de linguagem
Enquanto os grandes modelos de linguagem como o ChatGPT, o Gemini e o DeepSeek exigem muita capacidade de processamente, os pequenos modelos de linguagem servem para aplicações bem específicas e exigem menos energia.
Esses modelos podem ser treinados para executar localmente e a custo menor ações focadas, como a redação de um contraato ou a análise de informações médicas. Mesmo as gigantes de tecnologia que desenvolveram os grandes modelos, como a Open IA e o Google, já estão oferecendo versões compactas deles, que são de uso mais privativo e ideal para aplicações comerciais.
4 – Suplementos para Reduzir Arroto de Gado
Um dos maiores responsáveis pelo efeito estufa, a emissão de gases pelo gado, pode estar com os dias contados. O uso de suplementos alimentares que reduzem as emissões de metano pelos ruminantes pode mudar o panorama de aquecimento global que enfrentamos.
Pode parecer improvável que arrotos de vaca sejam tão danosos, mas calcula-se que pelo menos 20% do efeito estufa venha da pecuária. Pois já existem suplementos que podem ser adicionados à ração que reduzem o teor de metano do arroto produzido pelo gado. E há empresas em todo o mundo desenvolvendo pesquisas nessa área.
5 – Táxis robôs
Está havendo uma expansão no uso de veículos autônomos em todo o mundo. E o os pesquisadores do MIT acreditam que a tendência deve se expandir rapidamente ao longo do ano, com a oferta de táxis e corridas de aplicativo em veículos sem motorista.
Em Austin, a Waymo e a Uber iniciaram uma parceria para oferecer corridas sem motorista durante a SXSW. Há experiências parecidas em outras cidades dos EUA, da China e do Orienta Médio.
6 – Combustível de Aviação Sustentável
Combustível de aviação normalemente é de origem fóssil e muito poluente. Mas há novos métodos de produção com menor impacto ambiental. E alguns países, sobretudo na Europa, estão aumentando as exigências de uso de alternativas menos poluentes.
Um dos exemplos citados foi o de uma empresa do estado de Washington chamada Twelve, que está construindo uma fábrica com um reator que captura dióxido de carbono do ar, adiciona água e usa eletricidade e um catalisador metálico para separar os elementos. A empresa então pode recombiná-los para formar combustível de aviação. Outra empresa, a LanzaJet, inaugurou sua primeira instalação de produção em escala comercial na Geórgia há cerca de um ano, transformando etanol de milho ou açúcar em combustível de aviação. A LanzaJet também pode usar resíduos sólidos urbanos e gases industriais para produzir seu combustível.
7 – Robôs com capacidade de aprender e se adaptar
A IA generativa pode ser usada para treinar robôs a aprenderem por conta própria. Assim, dispositivos que antes eram programados para fazer uma única tarefa, podem ganhar novas habilidades. Para ensiná-los, os roboticistas estão combinando diferentes tipos de dados, como espaciais, de áudio e mapas 3D.
Um exemplo prático vem da empresa Prosper, que está desenvolvendo um robô doméstico que pode realizar tarefas como limpar a cozinha ou jogar fora o lixo. Com essas técnicas, a ideia é que seja mais fácil treinar um robô com poucos exemplos de uma tarefa e, em seguida, transferir esse aprendizado para tarefas completamente novas
8 – Prevenção de HIV de longa duração
A prevenção do HIV, que ainda contamina um milhão de pessoas por ano em todo o mundo, costuma exigir o uso de drogas contínuas. No entanto, pesquisas recentes realizadas na África mostraram a eficiência de novas drogas de prevenção que duram por até seis meses.
Essa nova droga, o Lenacapavir, em um ensaio clínico com 5.000 mulheres e meninas em Uganda e na África do Sul, preveniu 100% das infecções por HIV, o que é raro em medicina. O problema é que a droga ainda é cara, com custo estimado de 40 mil dólares por pessoa/ano.
9 – Aço verde
Processos de produção de aço são muito poluentes e respondem por quase 10% das emissões globais de CO2. A empresa sueca SSAB está desenvolvendo um método para produzir aço sem emissões, usando hidrogênio em vez de carvão. Outra startup, a Boston Metal, usa eletricidade para separar o ferro do minério. Essas tecnologias têm o potencial de reduzir drasticamente as emissões do setor siderúrgico.
10 – Terapias com células-tronco
Tratamentos para diabetes tipo 1 e epilepsia usando células-tronco têm potencial para revolucionarem o tratamento dessas doenças. Em um ensaio clínico, pacientes com epilepsia tiveram redução nas crises após receberem neurônios criados em laboratório. Para pacientes com diabetes, as células-tronco transformadas em células produtoras de insulina estão ajudando alguns a produzir insulina pela primeira vez.
Fora da lista
O editor Naill Firth também explicou por que deixou de fora algumas tecnologias consideradas disruptivas em outras listas de especialistas.
São elas:
- Fábricas de energia virtual, que integrariam energia solar, eólica, veiculos elétricos, etc;
- agentes de IA (assistentes virtuais que funcionariam como assitentes capazes de planejar toda a nossa vida);
- veículos életricos aéreos
- interfaces cérebro-computador.
Por diferentes razões, o time do MIT considera que essas tecnologias não estão maduras o suficiente para explodirem em 2025. E Niall Firth concluiu sua sessão convidando o auditório lotado a votar em uma delas para ser a 11ª da lista.