No Dia Internacional da Mulher é celebrado a história, força, coragem e a determinação de mulheres que fazem a diferença em suas comunidades.
Em Manaus, cidade pulsante no coração da Amazônia, histórias de mulheres valentes ecoam como verdadeiros exemplos de resistência, talento e liderança. Principalmente, que foram as primeiras em algum momento como a Etelvina Garcia, Márcia Siqueira e Vanda Witoto.
Etelvina Garcia: a guardiã da história de Manaus
Etelvina Garcia é um nome que se confunde com a própria história de Manaus. Professora, historiadora, jornalista e pesquisadora, ela é uma verdadeira enciclopédia viva da cidade. Desde os 17 anos, quando iniciou sua carreira no jornalismo, Etelvina já sabia que seu destino era contar as histórias que moldaram a Amazônia.
Autora e editora de 26 livros, ela dedicou sua vida a temas como a Zona Franca de Manaus, a navegação e comércio na região e a herança cultural da economia da borracha. Seu trabalho mais recente, “Manaus e seus cemitérios – Histórias de Vidas e Legados”, resgata a memória da cidade por meio dos campos-santos, revelando histórias que muitas vezes ficaram esquecidas.

Além disso, Etelvina também destaca o pioneirismo das mulheres manauaras no início do século XX. Em 1909, a Escola Universitária Livre de Manaós fundou-se, e já em 1911, as primeiras turmas de mulheres se formavam em cursos como farmácia, odontologia e obstetrícia.
Márcia Siqueira: a voz que encanta a Amazônia
Nascida em Itacoatiara, a 170 quilômetros de Manaus, Márcia Siqueira é um dos maiores símbolos da música popular amazonense. Desde os 4 anos de idade, quando venceu um concurso de jovens talentos em sua igreja, ela demonstrou que sua voz era um dom.
Com uma carreira que inclui quatro álbuns solo, parcerias com ícones como Maria Bethânia e apresentações internacionais, Márcia conquistou seu espaço na cena musical. Em 2020, ela fez história ao se tornar a primeira mulher levantadora de toadas do Boi-Bumbá Garantido, no Festival de Parintins, um marco para a cultura amazônica.

Como resultado, sua trajetória foi imortalizada no livro “A Voz da Floresta”, lançado em 2020, que narra sua vida e sua contribuição para a música e a cultura da região.
Vanda Witoto: a defensora dos povos indígenas
Vanda Witoto é um nome que ganhou destaque durante a pandemia de Covid-19, mas sua história de luta e resistência começou muito antes. Técnica de enfermagem e estudante de pedagogia na Universidade do Estado do Amazonas (UEA). Vanda se tornou um símbolo da luta contra o coronavírus ao ser a primeira pessoa no Amazonas a receber a vacina Coronavac, em 18 de janeiro de 2021.

Moradora do Parque das Tribos, comunidade que abriga 700 famílias de 35 etnias indígenas, Vanda também enfrentou uma batalha judicial pela posse da terra. A comunidade sofreu tentativas de reintegração de posse e ataques violentos. Atualmente, conta com serviços básicos como abastecimento de água, eletrificação e uma escola indígena.
Sua coragem em se vacinar publicamente e sua dedicação em salvar vidas em sua comunidade a tornaram uma figura internacionalmente reconhecida.
Por fim, juntas, essas três mulheres representam o espírito das amazonas modernas: guerreiras, destemidas e comprometidas com suas comunidades.