Com a alta de preços dos alimentos, é importante economizar na hora de fazer as compras do mês em feiras e supermercados.
A sugestão do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) para que os brasileiros evitem comprar produtos que estejam muito caros gerou polêmica.
No entanto, a prática de substituição de produtos não é nova.
Segundo o especialista em finanças e professor do Ibmec, Marcos Sarmento Melo, em períodos de crise é recomendado que produtos considerados “dispensáveis” e “suérfluos” sejam tirados do carrinho de compras.
“Quando o preço dos alimentos sobem a população já está acostumada a substituir por produtos que estejam mais em conta, que tenham tido uma maior produção, e dessa forma o fornecedor consegue oferecer por um preço menor, principalmente substituição. Isso acaba possibilitando que o preço também reduza”, explica.
Planejamento financeiro
O especialista também recomenda que os consumidores escolham produtos em melhores condições de preço e façam um planejamento para evitar dívidas.
“As pessoas precisam fazer uma listagem daquilo que recebem e fazer o planejamento das compras para não acabar gastando mais. Raramente é adequado que pessoas físicas contraiam dívidas”, afirma Marcos.
Ao invés de parcelar um produto de valor, ele recomenda que se economize por alguns meses e compre à vista.
“Infelizmente isso ainda não é tão praticado pelos brasileiros. Uma vez que isso esteja equilibrado, naturalmente a pessoa tem a condição de melhorar a renda, e assim, melhorar o consumo e o bem-estar”.
Inflação
A inflação de janeiro foi a menor registrada para o mês desde 1994, ano da implantação do Plano Real.
Para o professor, isso é uma boa notícia, mas ainda é necessário que medidas sejam tomadas para reduzir a inflação.
“Isso não quer dizer que os preços caíram de modo geral, mas que a alta dos preços é bem menor do que o que vinha acontecendo. Ainda estamos com a taxa de juros superior ao que seria o limite máximo da meta de inflação determinada pelo governo”, aponta.
De acordo com Sarmento, o pode explicar a inflação de janeiro é principalmente os setores de alimentos e transportes, que puxam o Índice de Preços ao Consumidor (IPCA).
O aumento do valor dos alimentos está atrelado a fatores sazonais, à produção agrícola e ao preço do alimento no mercado internacional.
O café, por exemplo, é um item que teve um peso maior no IPCA, em razão da alta expressiva nos últimos meses.
“Assim como a gente observou que houve uma alta um pouco maior no caso dos alimentos, é de se esperar que no futuro eles se estabilizem e até caiam um pouco, o que vai depender de outros fatores, como as condições climáticas”, avalia o especialista.
Crise dos alimentos
O ano de 2025 começou com uma elevação da inflação, puxada por setores como os combustíveis e os alimentos.
Alguns dos alimentos são alvos de preocupação do governo.
Desde então, o governo federal tem realizado reuniões para discutir o tema e definir medidas para conter a crise alimentícia.
Segundo a Copom, o cenário da inflação segue “adverso” a curto prazo e a tendência é que os preços se mantenham elevados.