A rotina de um aluno já é marcada por desafios únicos, e isso se multiplica quando se trata de estudantes ribeirinhos e acesso à educação em comunidades às margens dos rios, em Manaus
No Amazonas, onde rios são as principais vias de transporte, milhares de crianças enfrentam dificuldades que vão desde a mobilidade até a falta de infraestrutura escolar.
As dificuldades são históricas, mas vem mudando com o passar dos anos. É isso que o quinto episódio do quadro “Nossa Cidade, Nosso Futuro” da TV Norte Amazonas, apresenta.

A equipe de reportagem esteve em comunidades ribeirinhas de Manaus para mostrar um pouco dessa rotina dos estudantes ribeirinhos.
Em 2016, o Amazonas tinha mais de 37 mil ribeirinhos de acordo com dados do Projeto Povos Ribeirinhos.
Dificuldades dos estudantes ribeirinhos em Manaus
Além disso, as mudanças sazonais do clima e as variações no nível dos rios são fatores históricos que impactam diretamente a vida dessas comunidades.
Durante o período da seca, os rios diminuem de nível, dificultando o transporte, enquanto na cheia, as águas avançam sobre as margens, alterando o cotidiano das famílias.
Calendário escolar adaptado
Para garantir que os estudantes não sejam prejudicados, o calendário escolar das comunidades ribeirinhas começa ainda em janeiro, permitindo que os 200 dias letivos recomendados pelo Ministério da Educação sejam cumpridos.
Cerca de 2 mil estudantes de escolas municipais localizadas às margens dos rios Amazonas e Negro enfrentam uma rotina diferenciada.

Um exemplo é Zac Gonçalves, de 12 anos, que mora na comunidade do Tatu e estuda na comunidade São João, a 20 minutos de lancha de sua casa.
Para chegar à escola, ele depende de uma embarcação que passa nas primeiras horas da manhã, em um percurso que leva aproximadamente duas horas e atende cinco comunidades.
Ao ser questionado sobre o que quer ser quando crescer, Zac respondeu que sonha em seguir carreira militar, e que os estudos são a melhor maneira de conseguir realizá-lo.
Oportunidades
A mãe de Zac, que não teve as mesmas oportunidades de estudo, destaca a importância do transporte escolar gratuito e do acesso aos serviços.

“É muito importante ter a lancha que vem buscar ele, leva e traz sem a gente ter esse gasto. Seria muito mais difícil se tivéssemos que pagar gasolina para ir e voltar, porque não temos condições”, relatou.
Essa medida auxilia as famílias ribeirinhas e garante que mais crianças tenham acesso à educação.
Inovações no Ensino
Na Escola Municipal São João, a diretora Edlane Batista, com 17 anos de experiência em gestão escolar, conhece bem as diferenças entre as realidades das zonas ribeirinhas.

“As dificuldades existem, mas cada região tem suas particularidades. Aqui, buscamos adaptar o ensino à realidade dos nossos alunos”, explica.
Uma das iniciativas que chamam a atenção é o uso de brincadeiras tradicionais, como a amarelinha, para ensinar matemática.

“Peguei conceitos da geometria plana, como figuras geométricas, e transformei em uma amarelinha. As crianças pulam e aprendem sobre áreas, perímetros, vértices e arestas de forma lúdica e divertida.”, explica a professora Andreza de Souza, idealizadora do projeto.
Situação do ensino em Manaus
As avaliações mais recentes do Índice de Desenvolvimento da Educação Básica (Ideb) revelaram um avanço no ensino para os ribeirinhos em Manaus.
A capital amazonense subiu da 13ª posição para o 6º lugar nos anos iniciais e para o 5º lugar nos anos finais, consolidando-se como uma das cidades com melhores resultados na educação básica do país.
Para alcançar esse resultado, as escolas da rede municipal receberam recursos multifuncionais, para melhorar o aprendizado dos estudantes.
Há alguns anos, a falta de recursos adequados e a dificuldade de acesso a tecnologias educacionais eram obstáculos comuns.
No entanto, com a implementação de políticas focadas em infraestrutura, capacitação docente e inclusão de ferramentas modernas, a cidade começou a colher os frutos dessas mudanças.