As trocas de comando da Câmara dos Deputados e do Senado Federal representam um reequilíbrio e podem ser positivas para as relações entre o Executivo e o Legislativo no Brasil.
Essa é uma das avaliações do advogado e consultor político Marcelo Ramos, que já foi deputado federal pelo Amazonas e vice-presidente da Câmara.
“Eu acredito que as mudanças são positivas para o governo e para os interesses maiores do nosso país”, afirma.
Ramos explica que o presidente do Senado, Davi Alcolumbre (União-AP), deve manter a postura de interlocutor com o governo federal, já adquirida anteriormente.
Mudanças e diálogos
Da mesma forma, a relação entre a Câmara dos Deputados e o Executivo deve ser alterada positivamente, visto que o ex-presidente da casa legislativa, Arthur Lira (PP-AL), teve grandes desacordos com o governo durante sua gestão.
“Esse diálogo ajuda para que as pautas do país possam andar”, afirma. As vice-presidências de ambas as casas também são pontos de destaque para Marcelo Ramos.
Para o consultor político, a nova configuração deve resultar em ações moderadas, considerando os perfis dos parlamentares.
“O PL não optou, na escolha da vice-presidência, por senadores e deputados radicais, mas sim moderados na política, que são o senador Eduardo Gomes (PL-TO) e o deputado Altineu Côrtes (PL-RJ), e com certeza vão trazer melhorias para o ambiente”, alegou.

Reforma partidária
De acordo com o advogado, o painel político precisa ser alterado por haver disparidades.
“Mais do que uma reforma política, nós precisamos de uma reforma partidária. Não é razoável que nós permitamos apenas uma reeleição para presidente da república, mas que os partidos tenham o mesmo presidente há 20, 30, 40 anos e que ao final passe para um familiar”, expressou.
Ramos defende essas mudanças para que novas vozes sejam ouvidas. Isso pode representar abertura de espaços para jovens dispostos a entenderem e participarem da política brasileira.
COP30 no Brasil
Com os avanços em projetos e articulações para a 30ª Conferência das Nações Unidas sobre as Mudanças Climáticas (COP30), as preocupações se manifestam ainda mais. O ex-deputado enfatizou processos para as mudanças climáticas.
“Quem acha que vai resolver problema do meio ambiente com comando e controle, com polícia e munição vai falhar no seu objetivo”, afirmou.
Ramos reflete que milhares de brasileiros vivem na “amazônia profunda” e que a qualidade de vida dessa população precisa ser colocada como destaque na discussão ambiental.
“Geração de emprego, renda e riqueza precisa ser foco, para que consigamos avançar. Há uma falha nisso, com muitos extremismos. O homem precisa ser o centro, com mecanismo econômicos sustentáveis adequados”, apontou.