Governo Federal alerta sobre futura possível contaminação no Rio Tocantins

Redação Portal Norte

O Governo Federal alerta, em nota, sobre uma futura possível contaminação no Rio Tocantins. A preocupação do governo é referente aos dois caminhões que ainda estão submersos após a queda da ponte JK, na região de Aguiarnópolis (TO) e Estreito (MA).

Os dois caminhões carregavam cargas de agrotóxicos e ácido sulfúrico em grandes quantidades. Antes da publicação da nota do Governo Federal, a Agência Nacional de Águas (ANA) fez um relatório sobre a qualidade da água do rio e supostamente não identificou irregularidades preocupantes.

Possível contaminação do Rio Tocantins

A nota do Governo Federal que alerta sobre uma futura possível contaminação do Rio Tocantins foi publicada na última quinta-feira (30), e alerta sobre os riscos de deixar os dois caminhões com cargas tóxicas no leito do rio.

Segundo a nota, ainda não foram identificados indícios de contaminação das águas do rio, mas, como os dois veículos ainda estão no leito do Rio Tocantins, uma futura contaminação pode acontecer.

A nota afirma que o monitoramento da qualidade da água do rio continua sendo feito por órgãos responsáveis.

O monitoramento da água bruta está sendo conduzido pelos órgãos
responsáveis e as secretarias de Vigilância em Saúde e Ambiente (SVSA), Atenção
Especializada à Saúde (SAES), Atenção Primária à Saúde (SAPS) e Saúde Indígena
(SESAI) do Ministério da Saúde, que estão acompanhando todas as atualizações.

Sintomas que representam contaminação das águas

A nota do Governo Federal também destaca os sintomas da contaminação das águas pelos produtos químicos presentes nos caminhões, entre eles estão:

Exposição oral (consumo da água contaminada):

  • Dor e queimação na boca e na garganta;
  • Dor de cabeça, agitação, confusão mental;
  • Náuseas, vômito, dores abdominais e diarreia;
  • Fraqueza muscular, cãibras, contrações rápidas dos músculos, pequenos tremores, espasmos, dor muscular, dificuldade em relaxar os músculos, aumento anormal da rigidez ou tensão dos músculos, tornando os movimentos mais difíceis, reflexos mais fracos ou ausentes do que o normal, dificuldade em andar;
  • Dificuldade em respirar, respiração acelerada, acumulo de líquido no pulmão;
  • Pupilas contraídas, Movimentos involuntários e rápidos dos olhos;
  • Pressão arterial baixa, aceleração dos batimentos cardíacos, respiração mais lenta do que o normal, alterações no eletrocardiograma (ECG) –
    diminuição ou inversão da onda T (Indica alterações na recuperação elétrica do coração após um batimento.), aumento no intervalo Q-T (Pode aumentar o risco de arritmias cardíacas.), taquicardia
    supraventricular e ventricular (Ritmos cardíacos acelerados que podem se originar nas câmaras superiores (supraventricular) ou inferiores (ventricular) do coração.);
  • Alterações no sistema nervoso central, problemas de coordenação.
  • Desequilíbrio no pH do sangue, tornando-o mais ácido, aumento anormal da temperatura corporal (sem infecção), insuficiência renal, quebra rápida de fibras musculares, liberando substâncias no sangue que podem danificar os rins, aumento nas transaminases hepáticas e na lactato desidrogenase (Indica lesão ou inflamação no fígado e danos em células musculares ou outros tecidos), trombocitopenia (Redução na quantidade de plaquetas no sangue), anemia hemolítica e baixos níveis de cálcio no sangue.

Exposição cutânea (contato da pele com a água contaminada):

  • Irritação local.
  • Queimaduras.

Exposição ocular (contato dos olhos com a água contaminada):

  • Irritação local.
  • Desconforto ocular.
  • Diminuição da capacidade de enxergar com clareza e nitidez
  • Sensibilidade excessiva à luz
  • Queimaduras.

Como evitar contato com águas contaminadas

Para evitar contato com águas contaminadas, a população deve seguir as seguintes orientações do Governo Federal:

Evitar contato direto:

  • Sempre que possível, não entrar em contato direto com a água ou substâncias químicas presentes na área afetada, especialmente crianças, gestantes e pessoas com condições de saúde pré-existentes.
  • Se possível, consumir água mineral potável de fonte que não seja o rio.

Evitar uso de água ou atividades de lazer:

  • Enquanto as autoridades não garantirem a segurança, não utilizar a água do Rio Tocantins para consumo, banho, pesca ou outras atividades recreativas.
  • Até nova avaliação, evitar o contato com o solo nas áreas atingidas.
  • Seguir orientações das autoridades.
  • Acompanhar comunicados oficiais dos órgãos ambientais e sanitários para atualizações sobre a segurança na região.

Buscar atendimento médico caso tenham algum sintoma:

  • Procurar a unidade de saúde mais próxima em caso de exposição aos produtos químicos, mesmo que não haja sintomas imediatos. Em casos de urgência, acionar o SAMU 192.
  • Em caso de contato com água contaminada, não induzir o vômito.

Caso aconteça o contato com águas contaminadas, siga as informações do Governo Federal que podem ser encontradas por meio deste link, na página 3.

Análise das águas pela ANA

A Agência Nacional de Águas (ANA) informou que realizou análises da qualidade da água no rio Tocantins, na região onde ocorreu o desabamento da ponte Juscelino Kubitschek. A estrutura conectava os municípios de Aguiarnópolis (TO) e Estreito (MA).

As investigações ganharam urgência devido à confirmação de que alguns dos quatro caminhões que caíram no rio transportavam pesticidas e outros compostos químicos.

O governador do Maranhão, Carlos Brandão, usou suas redes sociais para afirmar que não há risco de contaminação nas águas do Rio Tocantins, especialmente na região onde caiu a ponte Juscelino Kubitschek de Oliveira, que liga o Maranhão ao Tocantins.