Lira consultou diretamente aliados sobre ida para ministério. Ele afirma que ainda não foi procurado diretamente pelo Palácio do Planalto.
No entorno político de Brasília, nomes de Arthur Lira (PP-AL) e Rodrigo Pacheco (PSD-MG) são tidos como praticamente certos para chefiar pastas. No caso de Lira, falta o compromisso com as eleições de 2026.
Nos bastidores de Brasília, a possível nomeação de Arthur Lira (PP-AL) para um ministério no governo Lula já é tema de debate entre aliados e lideranças do Progressistas. O próprio Lira já consultou a cúpula do partido sobre o assunto, e há articulações para viabilizar seu nome em pastas estratégicas, como Saúde ou Agricultura.
No Palácio do Planalto, tanto Lira quanto Rodrigo Pacheco (PSD-MG), que deixa a presidência do Senado, são vistos como nomes praticamente certos para compor o governo.
No entanto, há um entrave: Lira ainda não selou um compromisso formal de apoio a Lula na eleição de 2026, o que mantém as negociações em aberto. Além da articulação política, há outro fator relevante. Assumir um ministério evitaria que Lira retornasse à “planície” e, ao mesmo tempo, o blindaria diante de investigações que avançam sobre ele.
A mais recente delas, aberta pelo ministro do STF Flávio Dino, apura supostas manobras envolvendo R$ 4,2 bilhões em emendas de comissão. Nos bastidores, a avaliação é que seria mais difícil para Dino pressionar Lira se ele estivesse no primeiro escalão do governo, já que isso poderia desgastar o próprio Planalto. Ainda que Lira aceite o ministério e firme um compromisso de apoio ao governo, o PP já sinalizou que não dará respaldo oficial a Lula em 2026.
Além disso, Lira enfrentaria resistências políticas dentro de Alagoas, onde seus principais adversários são os Calheiros, aliados do presidente.
Para Lula, oferecer um ministério a Lira não é apenas um movimento de curto prazo, mas uma estratégia para consolidar sua base no Congresso até 2026. Para Lira, aceitar ou não o convite envolve um cálculo político complexo: ganhar poder dentro do governo ou manter autonomia para atuar nos próximos anos.