O Brasil registrou, em 2024, o maior número de denúncias de trabalho escravo e condições análogas à escravidão desde o início do monitoramento, segundo dados do Ministério dos Direitos Humanos e da Cidadania.
Foram 3.959 denúncias realizadas ao longo do ano, um aumento de 15,4% em relação a 2023, marcando o recorde desde a criação do Disque 100 em 2011.
Em 2024, 3.045 das denúncias recebidas foram oficialmente protocoladas. As vítimas incluem idosos, crianças, adolescentes, mulheres e pessoas com deficiência. De acordo com o Ministério, o país vem registrando aumentos consecutivos de denúncias desde 2021:
- 1.918 em 2021;
- 2.084 em 2022;
- 3.430 em 2023.
De acordo com o Ministério do Trabalho, cerca de 65,6 mil pessoas foram resgatadas de condições análogas à escravidão nas últimas três décadas, em mais de 8,4 mil ações fiscais.
Em 2024, foram realizadas 1.035 operações específicas, que resultaram no resgate de 2.004 trabalhadores. No ano anterior, o número foi ainda maior: mais de 3.100 pessoas, o maior registro em 14 anos.
Setores que mais registraram trabalho escravo
Os dados da Classificação Nacional de Atividades Econômicas (CNAE) apontam os seguintes setores com maior incidência de trabalho escravo:
- Construção de edifícios: 293 trabalhadores resgatados;
- Cultivo de café: 214 trabalhadores;
- Cultivo de cebola: 194 trabalhadores;
- Serviços de preparação de terreno, cultivo e colheita: 120 trabalhadores;
- Horticultura, exceto morango: 84 trabalhadores.
Os resgates em áreas urbanas também chamaram atenção, representando 30% do total. Na esfera doméstica, 22 ações fiscais resultaram no resgate de 19 trabalhadores em condições degradantes.
Estados com mais operações
Os estados que lideraram em ações fiscais em 2024 foram:
- São Paulo: 191 ações;
- Minas Gerais: 136 ações;
- Rio Grande do Sul: 82 ações;
- Paraná: 42 ações;
- Espírito Santo e Rio de Janeiro: 41 ações cada.
Quanto ao número de trabalhadores resgatados, Minas Gerais liderou com 500 pessoas, seguido por São Paulo (467), Bahia (198), Goiás (155), Pernambuco (137) e Mato Grosso do Sul (105).
Como denunciar?
O Disque 100 segue como um canal fundamental para denúncias de violações de direitos humanos, funcionando 24 horas por dia, incluindo feriados. As ligações são gratuitas e podem ser feitas de qualquer telefone fixo ou móvel.
O Sistema IPE também está disponível para registros online, permitindo que o denunciante insira informações detalhadas de forma anônima.
*Com informações do portal g1 e Governo Federal.