O governo da Bolívia anunciou a construção de muros e comportas no leito do Rio Acre para prevenir enchentes, e o governo do Acre designou uma equipe para se reunir com autoridades bolivianas em Brasiléia, na fronteira entre os dois países.
O encontro teve como objetivo discutir o projeto que o Ministério da Defesa Civil boliviano propôs. Ademais, na última terça-feira (28), o Governo do Acre divulgou estratégias contra enchentes, utilizando tecnologia.
Onde as obras serão realizadas para combater as enchentes no Rio Acre?
A equipe realizará a obra em pontos críticos do Rio Acre, começando pela região de Cobija, no Departamento de Pando.
De acordo com o governo boliviano, a decisão foi respaldada por um estudo técnico que indicou a necessidade de intervenções, incluindo dragagens, para evitar alagamentos.
O investimento previsto para a construção é de 20 milhões de bolivianos, o equivalente a mais de R$ 17 milhões.
O coordenador da Defesa Civil do Acre, Carlos Batista, explicou que, durante a reunião em Cobija, autoridades brasileiras, principalmente do município de Brasiléia, discutiram as intervenções planejadas pelo governo da Bolívia, como a construção de estruturas ao longo da margem boliviana do rio.
Quais os impactos e estudos realizados sobre o projeto?
O encontro teve como principal tema a viabilidade do projeto, dado seu porte e a localização em uma área de risco.
As autoridades acreanas destacaram a importância de realizar um estudo sobre os impactos socioambientais da obra, que pode ter implicações significativas na região.
Em resposta, Oscar Terán, representante boliviano, afirmou que o Instituto de Hidrologia de Santa Cruz já realizou um estudo de viabilidade para a primeira fase do projeto, que inclui intervenções de menor escala.
Ele também mencionou que a segunda fase do projeto, mais abrangente, envolverá desapropriações em Cobija para a construção de muros.
Os representantes do Acre também questionaram a capacidade das lagoas e comportas hidráulicas planejadas para os afluentes do Rio Acre.
Terán respondeu que as obras fazem parte de um conjunto de medidas preventivas para controlar os níveis da água e oferecer tempo para que as autoridades possam agir em caso de risco de inundação, uma situação recorrente na região.
Ademais, ele ainda garantiu que, inicialmente, as intervenções não representam riscos significativos.
Como a maior enchente da história afetou Brasiléia e Cobija?
Em fevereiro do ano passado, Brasiléia, que faz fronteira com Cobija, enfrentou a maior enchente de sua história, com o Rio Acre alcançando 15,58 metros.
A inundação cobriu cerca de 80% do município, superando a marca registrada em 2015, de 15,55 metros, quando a cidade enfrentou a pior cheia já registrada, que cobriu toda a área urbana.
Do lado boliviano, a enchente também causou danos significativos. De acordo com o governo de Pando, cerca de 3.600 pessoas foram afetadas, e aproximadamente 200 edificações foram submersas em 17 bairros.
*Com informações do g1