Entenda como o aumento da taxa Selic para 13,25% pode impactar o seu dia a dia

Redação Portal Norte

O Comitê de Política Monetária (Copom) do Banco Central (BC) está prestes a decidir sobre a taxa básica de juros, a Selic. A reunião de janeiro iniciou na terça-feira (28) sob o comando do novo presidente, Gabriel Galípolo.

Com a alta do dólar e o aumento no preço dos alimentos, a diretoria do BC precisará decidir a quanto elevar a taxa Selic, que já está em 12,25% ao ano. Segundo o boletim Focus, pesquisa semanal com analistas de mercado feita pelo BC, a taxa básica deve subir 1 ponto percentual, chegando a 13,25% ao ano.

Se a subida se efetivar, será a quarta elevação consecutiva da Selic, informada na última reunião, em dezembro. A decisão será anunciada nesta quarta-feira (29).

O que significa o aumento da Selic?

Para a conselheira do Conselho Regional de Economia do Estado de São Paulo (Corecon-SP) e professora da Fundação Getúlio Vargas (FGV), Carla Beni, o objetivo da elevação é “contrair a liquidez e o crédito da economia e diminuir a atividade econômica”.

O Copom sinaliza uma “política monetária contracionista”, com controle da inflação, mantendo a estabilidade econômica. 

A Selic serve de referência para as demais taxas da economia, sendo o principal instrumento do Banco Central para manter a inflação sob controle.

Beni ressalta que com a alta, as taxas de juros de empréstimos e financiamentos sobem, e o poder de compra da população diminui.

“Esse aumento da taxa Selic, ele vai impactar o crédito, ele encarece o crédito e como a população brasileira, o Brasil é um país de renda média baixa, o varejo precisa muito do parcelamento, então você encarece. Aparecendo o parcelamento, você dificulta a vida das pessoas para comprar parcelado”, explica.

Aceleração na subida 

Após chegar a 10,5% ao ano de junho a agosto do ano passado, a taxa começou a ser elevada em setembro do ano passado, com uma alta de 0,25 ponto, uma de 0,5 ponto e uma de 1 ponto percentual, chegando a maior alta no governo Lula. 

De acordo com o boletim Focus, a estimativa de inflação para 2025 saltou de 4,96% para 5,5% em apenas quatro semanas, ultrapassando o teto da meta estabelecida pelo Conselho Monetário Nacional (CMN) de 3% para este ano, com um intervalo de tolerância de 1,5 ponto.

Estudo recente do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), divulgado no último dia 24, apontou quais setores são os vilões da alta de preços em janeiro. Passagens aéreas, combustíveis e o setor de alimentos e bebidas aparecem na lista.

A conselheira ressalta ainda que itens de maior valor agregado também devem ser pensados.

“Nós podemos pensar em itens que tenham maior valor agregado, onde você precisa de um parcelamento maior como, por exemplo, bens duráveis, como eletroportáteis, eletrodomésticos inclusive, móveis”, diz a especialista.