Vaticano alerta que IA tem ‘sombra do mal’ e defende supervisão rigorosa

Redação Portal Norte

Em um novo documento divulgado nesta terça-feira (28), o Vaticano pediu maior supervisão governamental sobre o desenvolvimento da inteligência artificial (IA).

O texto, intitulado “Antica et nova” (Antiga e nova), foi elaborado por dois departamentos do Vaticano, recebeu a aprovação do Papa Francisco e enfatiza os riscos éticos associados à tecnologia, incluindo sua capacidade de disseminar desinformação.

Segundo o documento, a inteligência artificial traz consigo “a sombra do mal”, particularmente pela possibilidade de gerar conteúdo falso que pode comprometer as bases da sociedade.

“A mídia falsa criada por IA pode minar progressivamente a confiança pública e alimentar a polarização política e o descontentamento social”, afirma o texto. Para o Vaticano, é essencial que governos estabeleçam regulamentações rigorosas para evitar os impactos nocivos da desinformação em escala global.

O Papa Francisco com o báculo pastoral – Foto: Andreas SOLARO / AFP

Papa Francisco e a ética na tecnologia

O Papa Francisco tem demonstrado preocupação crescente com os desafios éticos impostos pela inteligência artificial. Recentemente, ele enviou uma mensagem ao Fórum Econômico Mundial, em Davos, na qual alertou líderes políticos e empresariais sobre as “questões críticas” que a tecnologia pode trazer para o futuro da humanidade.

Durante a cúpula do G7, realizada na Itália em junho, Francisco reforçou que as pessoas não devem permitir que algoritmos determinem suas vidas, ressaltando a necessidade de um uso ético e responsável da IA.

O documento do Vaticano analisa os efeitos da inteligência artificial em áreas como saúde, educação e mercado de trabalho. Ele destaca que, assim como em outros campos de tomada de decisão humana, a IA também está sujeita a manipulações e mal uso, exigindo avaliações morais contínuas.

“A forma como essa tecnologia é direcionada e utilizada determinará se ela será uma ferramenta para o bem ou para o mal”, alerta o texto.

Regularmentação do IA

O Vaticano defende que a regulamentação da IA deve ir além de interesses econômicos ou políticos e priorizar a proteção da dignidade humana. O documento ressalta que a comunidade internacional precisa trabalhar em conjunto para assegurar que a inteligência artificial seja utilizada de forma ética, responsável e com foco no bem-estar da sociedade.

Com o avanço acelerado da tecnologia, o Vaticano assume um papel de liderança no debate ético sobre a IA, buscando influenciar decisões que afetarão gerações futuras.

*Com informações do portal g1.