Após declarar, na última segunda-feira (20), que “o Brasil e a América Latina precisam mais dos Estados Unidos do que os EUA precisam deles”, o presidente Donald Trump segue de olhos fechados para o país latino.
O Republicano ainda não definiu um novo embaixador que represente os norte-americanos no Brasil. No momento, a embaixada é representada provisoriamente pela ministra conselheira Kimberly Kelly, encarregada de negócios.
A ex-embaixadora americana Elizabeth Bagley deixou o posto antes da posse de Trump devido à oposição política. Bagley foi indicada pelo ex-presidente Joe Biden e enaltecia as relações entre Brasil e Estados Unidos.
Relação pacífica
Apesar das divergências políticas e descuidos entre Trump e Lula, especialistas apontam que a relação histórica entre ambos os países deve permanecer. O laço já perdura 201 anos e, nos últimos 30, as nações já passaram por governos que vão da esquerda à extrema-direita.
“Tem o viés político? Tem. Mas eu acho que a ponto de mudar profundamente a relação entre os dois países, não. Tem uma dinâmica nas relações de um país com o outro que extrapolam vieses imediatistas. E outra, o Brasil não é inimigo dos Estados Unidos”, comenta Pio Penna Filho, professor do departamento de Relações Internacionais da Universidade de Brasília (UNB).
Ao mesmo tempo em que o cenário de pacificidade parece ser possível, há a crença de que um ambiente estressante pode surgir. É o que diz o cientista político Marco Antonio Carvalho Teixeira, professor do Departamento de Gestão Pública da Fundação Getúlio Vargas.
“Vai ser um governo de tensão, porque é o governo da restauração do velho sonho americano de dominar o mundo, de ser a referência para o mundo e de ser o guardião do mundo a partir dos interesses americanos. Então, vai ser uma tensão constante”, aponta.
Posição brasileira
Em reunião ministerial na segunda-feira, o presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) declarou que não pretende incitar desentendimentos que prejudiquem a relação política entre os países.
No discurso, Lula chegou a citar a Venezuela, que recentemente empossou o presidente Nicolás Maduro sob fortes protestos e acusações de fraude.
“Torço para que ele faça uma gestão profícua, para que o povo brasileiro, o povo americano melhore e para que os americanos continuem a ser os parceiros históricos que são do Brasil. Nós não queremos briga nem com a Venezuela, nem com os americanos, nem com a China, nem com a Índia, nem com a Rússia. Nós queremos paz.”, disse.