Após atingir marca de U$ 21 milhões, soja lidera exportações no Acre em 2024

Redação Portal Norte

A soja, um dos grãos mais relevantes da agricultura, é matéria-prima para diversos produtos alimentícios, como óleo de cozinha e chocolate. No município de Capixaba, interior do Acre, está localizada uma das maiores produções dessa leguminosa no estado.

O processo de cultivo envolve etapas detalhadas, desde a escolha das sementes até a colheita no período ideal. O agrônomo Maycon Araújo, que acompanha produtores locais, detalha o ciclo de cultivo.

“Iniciamos o plantio por volta de outubro, período em que já há um volume de chuva adequado. O ciclo da cultura varia entre 100 e 120 dias, dependendo da variedade de soja. Atualmente, contamos com diversas variedades adaptadas à nossa região, considerando a realidade local e o volume pluviométrico. Sendo uma região amazônica, onde o índice de chuvas é significativamente elevado, é fundamental utilizar materiais com maior tolerância para evitar perdas”, pontuou.

Ademais, no ano passado, o Acre se tornou o quarto estado com maior produção agrícola.

Acre lidera crescimento da exportação de soja

Enquanto algumas regiões do Brasil enfrentaram queda nas exportações, o Acre liderou o crescimento de soja em 2024, com um aumento de 88,3% no índice de exportações, conforme a Agência Brasileira de Promoção de Exportações e Investimentos (ApexBrasil).

O destaque foi a soja, que gerou mais de US$ 21 milhões em vendas externas. O presidente da ApexBrasil, Jorge Viana, avalia que 2025 deve manter o cenário positivo, mas alerta para o impacto das mudanças climáticas.

“Tudo isso depende da chuva e da seca, e é fundamental termos muito cuidado, adotando políticas de prevenção e proteção para quem trabalha e produz na agropecuária acreana”, explicou.

Diversificação da produção rural no Acre

Produtor de soja há sete anos, Assuero Veronez ressalta o potencial do Acre para diversificar sua produção rural, historicamente concentrada na pecuária.

“Diversificar a produção rural do Acre é fundamental. Até pouco tempo, a economia rural era praticamente baseada na monocultura da pecuária, com raríssimas atividades complementares, como o cultivo de mandioca e, em menor escala, milho. Nos últimos 10 anos, porém, houve a introdução da soja, que ganhou destaque. Mais importante ainda foi o avanço na logística, que trouxe mudanças significativas”, afirmou.

Ele destacou que, anteriormente, a produção dependia de portos distantes, como Paranaguá e Santos, enquanto hoje está a apenas 500 km de Porto Velho, em Rondônia, reduzindo custos e atraindo novos produtores.

Apesar das perspectivas otimistas, desafios persistem. Entre as dificuldades enfrentadas pelos agricultores estão a falta de silos de armazenamento e a carência de colhedeiras em quantidade suficiente para atender à demanda.

“Não dispomos de muitos silos de armazenamento, nem de um grande número de colhedeiras capazes de oferecer suporte suficiente aos produtores. Ainda há muito a evoluir nesse sentido”, concluiu o agrônomo.