Após diversas reclamações sobre a transição na gestão do Hospital 28 de Agosto e a redução de médicos, a TV Norte Amazonas apurou a situação atual da unidade de saúde em Manaus.
Durante a reportagem, constatou-se que, em vez de a empresa contratada se adaptar ao sistema público de saúde, o contrário está ocorrendo, exigindo ajustes no funcionamento das unidades para acomodar as práticas da nova administradora.

Uma das mudanças mais criticadas é a substituição dos médicos, anteriormente contratados pela antiga gestão, por equipes reduzidas que atendem de forma menos eficiente.
Conforme os relatos, o número de médicos disponíveis durante 24 horas foi reduzido para menos da metade, priorizando atendimentos de alta complexidade e direcionando pacientes com quadros menos graves para outras unidades de saúde.
Dificuldade de acesso
A população, que dependia dos serviços do hospital, enfrenta maiores dificuldades de acesso. Enquanto isso, o sistema de saúde como um todo luta para absorver a demanda redistribuída.
Pacientes que aguardavam atendimento foram transferidos para outros hospitais, como o Platão Araújo e o João Lúcio, o que resultou em uma sobrecarga superior ao normal nessas unidades.
O Hospital 28 de Agosto, referência em Manaus, está agora sob administração de uma Organização Social (OS) de Goiás e tem sido alvo de críticas, principalmente por falta de médicos.
Após tomar posse da gestão, os antigos funcionários e médicos acabaram demitidos mesmo com os salários atrasados.
Falta de atendimento no Hospital 28 de agosto em Manaus
Tabita, que levou o namorado para atendimento, relatou as dificuldades enfrentadas ao buscar o hospital depois que ele passou mal e desmaiou.

“Estamos aqui desde as 10 horas, e agora já são 15 horas. Ele ainda não recebeu atendimento e continua no corredor. Sinceramente, já deveria ter saído daqui”, desabafou.
Outro caso foi o de Jetero, que levou o tio, vítima de um princípio de infarto, inicialmente para uma UPA.

Posteriormente, ele foi transferido para o Hospital. Na tarde de quinta-feira, o estado de saúde do tio piorou, e a família começou a temer o pior devido à falta de atendimento adequado.
“Ele está na UTI, mas não está recebendo o atendimento necessário, apenas medicação. A situação já era crítica, segundo a filha, justamente pela ausência de um tratamento adequado”, explicou Jetero.
Infelizmente, o tio de Jetero faleceu no Hospital 28 de Agosto após a espera por atendimento.