Ozempic para emagrecer? Especialistas alertam sobre uso indiscriminado da medicação

Redação Portal Norte

Com o crescimento da hipervalorização de corpos magros, medidas extremas têm sido adotadas por homens e mulheres em todo o mundo para conseguir alcançar o “corpo dos sonhos”. 

Um dos métodos mais comuns tem sido o uso indiscriminado de medicamentos para diabetes, como Ozempic e Mounjaro, o que tem preocupado especialistas. Popularmente, chamam esses remédios de “canetas emagrecedoras”.

O tema foi discutido na Comissão de Saúde da Câmara dos Deputados, na última semana.

Parlamentares e representantes de instituições farmacêuticas discutiram métodos para um maior controle na venda dessa classe de medicamentos (GLP-1), compostos por um hormônio que reduz a fome e retarda o esvaziamento do estômago.

Apesar de serem tarja vermelha, atualmente, drogarias e farmácias vendem esses remédios sem receita. Nelson Mussolini, presidente do Sindicato da Indústria de Produtos Farmacêuticos, ressaltou a necessidade de medidas rigorosas para conter o avanço do uso indiscriminado. 

“A indústria farmacêutica defende, de forma muito clara e muito transparente, que todos os produtos que tenham a tarja vermelha, devem ter a apresentação de receita”, afirmou.

Na ocasião, os presentes também alertaram sobre a falsificação dessas drogas. No último mês, a farmacêutica responsável pela fabricação de Wegovy Ozempic, anunciou que o uso de cópias falsas resultaram na morte de pelo menos 10 pessoas nos Estados Unidos (EUA).

Saúde ou beleza?

O endocrinologista e presidente da Associação Brasileira para o Estudo da Obesidade e Síndrome Metabólica (ABESO), Bruno Halpern, alertou para o uso desse tipo de medicação. “Se confunde o tratamento da obesidade com o desejo social de emagrecer”, declarou. 

Halpern explicou que os remédios do grupo GLP-1 são importantes para melhorar a qualidade de vida da população diabética. Isso porque garantem a redução da mortalidade e de diversas doenças, como as cardiovasculares. Porém, ainda possuem um alto custo.

O endocrinologista afirmou que o uso dessas medicações sem necessidade leva uma carga de preconceito aos diabéticos. Isso acontece porque o uso desse tipo de medicamento faz os pacientes sentirem que qualquer pessoa pode acessá-los facilmente para uso indiscriminado.

Por isso, é necessário um mecanismo que garanta a fiscalização. 

“Neste momento, em que o uso indiscriminado pode gerar maior preconceito, faz-se, sim, necessário uma maior fiscalização de garantir que se saiba quem está prescrevendo aquele remédio”, ressaltou. 

Quais os riscos?

Como todo medicamento, os da classe GLP-1 também podem gerar efeitos colaterais aos usuários, principalmente nos casos em que não há indicação médica.

Quando usadas para fins estéticos, sem acompanhamento, as drogas podem causar, por exemplo, a pancreatite. A doença é uma inflamação do pâncreas, órgão responsável por controlar os níveis de açúcar no sangue. Também faz parte do processo digestivo humano.