Brasil pode controlar o câncer de colo de útero em 20 anos

Redação Portal Norte

O câncer de colo de útero, terceiro mais comum entre as mulheres brasileiras, pode ser controlado no Brasil em até 20 anos.

O novo Plano Nacional para a Eliminação do Câncer de Colo de Útero, do Ministério da Saúde, aposta em avanços no diagnóstico, tratamento e vacinação contra o HPV, vírus causador de quase 100% dos casos da doença. Atualmente, o Brasil registra cerca de 17 mil novos casos e 7 mil mortes anuais.

O plano foca mulheres e pessoas com útero entre 25 e 64 anos, com prioridade para quem nunca realizou exames preventivos.

Uma das principais novidades é a substituição do papanicolau por testes moleculares para diagnóstico do HPV, que permitem identificar com maior precisão casos de risco.

O exame também será mais acessível com a introdução da autocoleta, permitindo que as pacientes realizem a coleta em casa, reduzindo barreiras para o rastreamento.

Situação do tratamento

Embora a lei exija que o tratamento comece em até 60 dias após o diagnóstico, a realidade é preocupante: no Norte, 65% das pacientes enfrentam atrasos superiores a dois meses.

Essa demora contribui para uma taxa de mortalidade na região de 15%, mais que o dobro da média nacional de 6%. Apenas na região Sul a maioria dos tratamentos ocorre em até 30 dias, índice atingido por 44% dos casos.

O tratamento ideal começa com a colposcopia, para identificar lesões e realizar biópsias. Em casos de câncer confirmado, o paciente deve ser encaminhado rapidamente para serviços de alta complexidade.

Para atingir as metas estabelecidas pela Organização Mundial da Saúde (OMS), o Brasil precisa aumentar em 56% o número de colposcopias e em mais de 600% o de biópsias.

Vacinação contra o HPV

A vacinação contra o HPV é prioridade no plano. O público-alvo inclui meninas e meninos de 9 a 14 anos, além de grupos específicos, como pessoas imunodeprimidas. O esquema vacinal passou a ser de apenas uma dose, facilitando a adesão.

Apesar disso, os índices de vacinação ainda são desiguais: enquanto o Paraná ultrapassou 96% de cobertura entre meninas, o Acre não atingiu 43%. Entre os meninos, a média nacional é de 56,9%, mas em estados como o Acre, o índice cai para 25%.

Próximos passos

Este ano, mais de 6 milhões de doses da vacina foram distribuídas aos estados e municípios. De acordo com o diretor do Programa Nacional de Imunizações Eder Gatti, a prioridade para o ano que vem é aumentar o alcance nos municípios que ainda estão com cobertura baixa, especialmente entre os meninos.  

*Com informações da Agência Brasil