Zambelli pode ser condenada por perseguição armada; STF tem 3 votos

Ministra Cármen Lúcia vota pela denúncia da deputada Carla Zambelli no STF pelo incidente com uso de arma de fogo antes das eleições de 2022.
Redação Portal Norte

No Supremo Tribunal Federal (STF), a ministra Cármen Lúcia votou nesta terça-feira (11) para que a deputada federal Carla Zambelli (PL-SP) se torne ré no caso em que ela usou uma arma de fogo e perseguiu um homem em São Paulo, antes das eleições de 2022.

Em plenário virtual, o relator do inquérito, ministro Gilmar Mendes, também votou para que a deputada seja ré.

O ministro Alexandre de Moares também seguiu o voto do relator e concordou com a denúncia da Procuradoria Geral da República (PGR).

Até o início da tarde desta sexta, o STF tinha 3 votos para que a parlamentar responda à ação.

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Em sua fala, o relator afirmou que ficou comprovado o “porte ostensivo de arma de fogo à véspera das eleições, em situação vedada e de risco, com a perseguição e submissão da vítima à restrição espacial”.

Embora Zambelli “tenha porte de arma, segundo o ministro, o uso fora dos limites da defesa pessoal, em contexto público e ostensivo, ainda mais à véspera das eleições, em tese, pode significar responsabilidade penal”, diz o relato.   

Até o dia 21 deste mês a análise permanece aberta aos ministros STF, no plenário virtual.

Denúncia contra Zambelli

A deputada federal foi denunciada pela PGR em fevereiro, por porte ilegal de arma de fogo e constrangimento ilegal com emprego de arma de fogo.

Caso a denúncia seja aceita, uma ação contra a parlamentar será aberta e Zambelli terá um prazo, para apresentar a defesa.

Neste momento deve ser feita a instrução do processo, onde as provas dos fatos são colhidas.

Somente após a conclusão das etapas e do julgamento de mérito do caso, o STF pode decidir se Zambelli é culpada ou inocente.

A PGR pede que a deputada seja condenada por danos Moraes coletivos, o valor é de R$ 100 mil, além disso, a decretação de pena de perdimento e cancelamento definitivo do porte de arma de fogo da parlamentar.

De acordo com a vice-procuradora-geral da República, Lindôra Araújo, Zambelli não tinha autorização para usar a arma daquela maneira, em público.

“A permissão do porte de arma de fogo conferida à denunciada se destina única e exclusivamente à sua defesa pessoal; jamais para constranger a liberdade de interlocutor e fazer com que ele se desculpe dos seus posicionamentos políticos”, disse na denúncia.

Naquela época, a defesa de Zambelli alegou que a vice-procuradora não considerou pontos essenciais apresentados.

Além disso, informou que o porte de arma da deputada é federal, e não de Colecionador, Atirador Desportivo e Caçador (CAC´s), que estava proibido de portar arma na véspera da eleição.

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